Realizado entre 14 e 16 de abril de 2026, em Foz do Iguaçu, o 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano reforçou a percepção de que o biometano entrou definitivamente na agenda estratégica da transição energética brasileira. Com mais de 800 participantes e representantes de 16 países, o encontro reuniu agentes públicos, investidores, indústria, academia e produtores em torno de um diagnóstico comum: o setor deixou de ser promissor para se tornar operacionalmente crítico — e agora precisa escalar com qualidade, volume e infraestrutura.
O fórum foi estruturado em nove painéis temáticos, abordando desde políticas públicas até mercado de certificados, mobilidade, integração com gás natural e investimentos na cadeia. A edição teve como eixo central o tema “Biometano: bem-feito, suficiente, bem distribuído”, refletindo o novo estágio do setor: não mais a viabilidade tecnológica, mas a capacidade de entrega em escala nacional.

Na abertura, o coordenador-geral do evento, Felipe Souza Marques, sintetizou o momento do setor ao afirmar que “estamos vivendo um momento decisivo para o biometano”, destacando que a demanda emergente — impulsionada por avanços regulatórios como a Lei do Combustível do Futuro — representa uma conquista histórica, mas também um teste de maturidade para a cadeia produtiva. Segundo ele, o desafio agora é responder com “produtividade, qualidade e estratégia de distribuição”, sob risco de perder a janela de oportunidade aberta pela transição energética.
O fórum evidenciou que o crescimento já está em curso. Dados apresentados no evento indicam que o Brasil alcançou 1.633 plantas de biogás em operação, após a adição de 248 novas unidades apenas em 2024, com presença em 611 municípios e 24 estados. O avanço é puxado principalmente por unidades de pequeno e médio porte, embora as grandes plantas concentrem a maior parte da produção. Ao mesmo tempo, a ABiogás aponta um potencial de produção de até 120 milhões de m³/dia de biometano, especialmente a partir dos setores sucroenergético, de proteína animal e agrícola, indicando uma base robusta para expansão industrial do combustível.

Outro ponto recorrente nas discussões foi a relação entre segurança energética e produção descentralizada. Em um contexto internacional marcado por conflitos e volatilidade nos mercados de energia, o biogás e o biometano foram posicionados como vetores estratégicos de autonomia energética regional. Como destacou Felipe Marques, “dependência de importação é um risco ao qual o Brasil deve estar atento”, especialmente em setores como transporte e agronegócio, onde o biometano pode atuar como substituto direto de combustíveis fósseis.
Além do conteúdo técnico, o evento reforçou seu papel como plataforma de negócios e inovação. O Espaço de Negócios reuniu mais de 60 expositores, enquanto iniciativas como o “Momento Startups” e a premiação “Melhores do Biogás Brasil” evidenciaram o avanço tecnológico e o amadurecimento do ecossistema. As visitas técnicas a sete unidades produtivas no Oeste do Paraná complementaram a programação, aproximando os participantes da operação real e das soluções implementadas em campo.
O fórum corroborou que o biogás, historicamente associado à gestão de resíduos, passou a ocupar um papel estruturante na matriz energética e industrial brasileira. A combinação de disponibilidade de matéria-prima — especialmente resíduos agroindustriais —, proximidade com centros de consumo e avanços regulatórios posiciona o Brasil como um dos mercados mais promissores para o biometano. Como destacam os organizadores, o desafio agora é acelerar a difusão tecnológica, ampliar a integração com a infraestrutura de gás e garantir condições econômicas e regulatórias que viabilizem a expansão em escala.
Nesse sentido, o 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano não apenas registrou o crescimento do setor, mas sinalizou uma mudança de fase: de nicho tecnológico para componente estratégico da política energética e industrial — com impactos diretos sobre descarbonização, segurança energética e competitividade do agronegócio e da indústria brasileira.

Durante o fórum, o CIBiogás – Centro Internacional de Energias Renováveis, anfitrião do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, lançou sua principal publicação: o Panorama do Biogás 2025. Felipe Souza Marques, diretor-presidente da instituição destacou dados que dimensionam o já aguardado avanço da produção de biogás e biometano no país.
O Diretor Pietro Mendes, que não pôde comparecer presencialmente ao evento, enviou vídeo em que destacou o trabalho que a ANP vem desenvolvendo na regulação do biometano.

Ele lembrou que, recentemente, foram publicadas duas resoluções sobre o Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB) e aberta uma consulta pública sobre a qualidade do biometano no país. A superintendente de Tecnologia e Meio Ambiente da Agência, Amanda Gondim, representou o Diretor no Painel 1 – “Biogás, Biometano e Políticas Públicas”; e foi moderadora do Painel 2 – “O Mercado dos Certificados”, que abordou a criação de certificados para o mercado de biogás e biometano – entre eles, o CGOB – e como impactam esse setor.

O Fórum também premiou os Melhores do Biogás Brasil 2026. Receberam a premiação, 11 vencedores em cinco categorias – Melhor Profissional; Melhor Organização; Unidades/Plantas Geradoras de Biogás (incluindo as subcategorias Saneamento, Pecuária e Indústria); Consumidor de Biogás e Biometano; e Mobilidade com Biometano. Eles foram escolhidos a partir de votação do público, de forma on-line.
MELHOR PROFISSIONAL
1º Lugar: Lucio Ricken
2° Lugar: Loana Defaveri Fortes
3º Lugar: Tiago Nascimento Silva
MELHOR ORGANIZAÇÃO
1º Lugar: 3DI Biogás
2º Lugar: Brasuma
3º Lugar: Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP
MOBILIDADE A BIOMETANO
Scania Latin America
CONSUMIDOR DE BIOGÁS E BIOMETANO
Grupo Cetric
MELHOR PLANTA
– Categoria IndústriaA: Copacol – Cooperativa Agroindustrial Consolata
– Categoria Pecuária: Coopenad – Cooperativa dos Produtores de energia e Adubo
– Categoria Saneamento: ETE Belém Biogás (USBionergia)

