Celebrado em 18 de junho, o Dia do Químico oferece uma oportunidade para discutir não apenas a importância desses profissionais para a sociedade, mas também os fatores que tornam a profissão uma das mais estratégicas para o desenvolvimento econômico e industrial do país.
Os números ajudam a entender essa realidade. Segundo dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA – 2023) do IBGE, o segmento de produtos químicos registra o segundo maior salário médio mensal da indústria de transformação brasileira, com remuneração média de R$ 7.440. O setor – que movimenta US$ 167,8 bilhões – também ocupa a quarta posição entre os maiores empregadores da indústria de transformação, reunindo cerca de 484 mil trabalhadores diretos.
Essa valorização está diretamente relacionada ao alto grau de especialização exigido pela atividade, à responsabilidade técnica envolvida nos processos produtivos e ao papel central da química no desenvolvimento de soluções para áreas como saúde, alimentação, mobilidade, energia, agricultura e sustentabilidade.
Foi aos 15 anos, trabalhando como estoquista em uma farmácia, que Luiz Antonio Martins da Silva teve seu primeiro contato com o universo da química. Fascinado pelos nomes dos princípios ativos descritos nas bulas dos medicamentos, passou a se interessar pelos processos e substâncias que tornavam possíveis tratamentos, produtos e soluções presentes no cotidiano das pessoas. O que começou como curiosidade transformou-se em uma carreira de 46 anos na indústria química, marcada por inovação, aprendizado contínuo e desenvolvimento profissional. Atualmente Especialista Sênior na Divisão de Negócios Care Chemicals da Basf, Luiz acumula 38 anos de atuação na companhia. A história de Luiz ajuda a explicar por que a química figura entre as carreiras mais valorizadas da indústria brasileira e por que profissionais da área são cada vez mais demandados em um cenário marcado pela inovação, pela sustentabilidade e pela busca de soluções para desafios complexos.

Luiz Antonio Martins da Silva – Especialista Sênior na Divisão de Negócios Care Chemicals da Basf
Crédito: Arquivo pessoal
Sem química não existe tratamento de água, não existe a produtividade agrícola que temos hoje, não existe a higienização dos alimentos, não existe boa parte dos materiais que usamos diariamente. A química está em tudo.
Os desafios da indústria química
Apesar das oportunidades oferecidas pela profissão, Luiz observa que a indústria química brasileira enfrenta desafios importantes para manter sua competitividade. Entre eles estão o acesso limitado a determinadas matérias-primas disponíveis em outras regiões do mundo, a necessidade permanente de formação de profissionais qualificados, os desafios regulatórios e a crescente concorrência internacional, especialmente de países asiáticos como China e Índia. Segundo ele, o desenvolvimento de equipes técnicas sólidas e a valorização da formação prática continuam sendo fatores decisivos para o futuro do setor.
Uma profissão estratégica para o futuro
Ao olhar para as próximas décadas, Luiz acredita que algumas das maiores oportunidades da química estarão ligadas à biotecnologia, à catálise gerando os produtos de origem renovável, à química verde e as tecnologias voltadas para a sustentabilidade. A avaliação é compartilhada pela Abiquim Associação Brasileira da Indústria Química, que destaca o papel crescente desses profissionais na construção de uma economia mais inovadora e de baixo carbono.

“Por trás de cada inovação desenvolvida pela indústria química existe um profissional altamente qualificado, capaz de transformar conhecimento em soluções para a sociedade. Valorizar esses talentos é também reconhecer o papel estratégico da química para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do Brasil”, afirma André Passos, presidente-executivo da Abiquim.
Para André, a crescente valorização desses profissionais reflete a importância da química para enfrentar alguns dos maiores desafios contemporâneos. “A transição energética, a economia circular, a segurança alimentar, o avanço da saúde e a reindustrialização sustentável dependem cada vez mais de conhecimento científico, inovação e profissionais preparados para transformar desafios em oportunidades.”

