A ABDI – Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial realizou o Workshop PINTEC Semestral, no Espaço Data ABDI, em Brasília (DF). O encontro reuniu representantes da ABDI, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para apresentar metodologia, resultados e aplicações da Pesquisa de Inovação Semestral (PINTEC Semestral), considerada um dos principais instrumentos de monitoramento da inovação no país.
A programação contemplou exposições sobre os avanços metodológicos da pesquisa, além da apresentação de resultados recentes e de possibilidades de uso estratégico dos dados por governo, empresas e academia.
O presidente da ABDI, Olavo Noleto, participou do evento e destacou a relevância da parceria institucional para o fortalecimento do sistema de inovação. Durante o workshop, a analista de Produtividade e Inovação da ABDI, Simone Uderman, ressaltou a importância da pesquisa para suprir a lacuna de dados atualizados sobre inovação no Brasil.
“Os resultados da PINTEC Semestral preenchem uma lacuna muito relevante para o sistema de inovação brasileiro. Desde os dados de 2017 da PINTEC tradicional, são essas informações que têm orientado pesquisadores e formuladores de políticas públicas”, afirmou.
Segundo Simone, os dados também são fundamentais para direcionar as ações da Agência. “Esses dados são uma referência importante para as ações da ABDI, balizando o cumprimento da nossa missão institucional em favor da indústria, da inovação, da transformação digital e da sustentabilidade ambiental no Brasil”, completou.
A responsável pela área de pesquisas do IBGE, Fernanda Vilhena, destacou que a pesquisa trouxe informações inéditas sobre temas estratégicos. “A PINTEC Semestral permitiu mapear o uso de tecnologias digitais avançadas, como computação em nuvem e inteligência artificial, além de práticas ambientais adotadas pelas empresas industriais. São informações fundamentais tanto para as instituições de fomento quanto para as próprias empresas”, afirmou.
A coordenadora do projeto pela UFRJ, Marina Szapiro, destacou o papel da universidade na disseminação e interpretação dos dados. “Desenvolvemos informes analíticos, seminários acadêmicos e atividades voltadas à interpretação dos dados, buscando ampliar o uso dessas informações por pesquisadores e formuladores de políticas públicas”, afirmou.
Para o pesquisador do IBGE Flávio Peixoto, a construção metodológica colaborativa entre IBGE e academia foi um diferencial do projeto. “Foi um processo desafiador, mas extremamente enriquecedor, porque conseguimos aproximar a perspectiva de quem produz a pesquisa da visão de quem utiliza os dados”, destacou.
Ao final do encontro, os participantes reforçaram a relevância da pesquisa para o fortalecimento do ecossistema nacional de inovação. A PINTEC Semestral contribui para ampliar a disponibilidade de informações estratégicas sobre a capacidade inovadora das empresas brasileiras, permitindo análises mais rápidas e subsidiando decisões de políticas públicas, investimentos e ações voltadas ao aumento da competitividade da indústria nacional.
Os investimentos em P&D cresceram:
- R$ 36,8 bilhões (2022)
- R$ 38,3 bilhões (2023)
- R$ 39,9 bilhões (2024)
47% das empresas projetaram aumento em 2026, em relação a 2025. E a taxa de inovação oscilou de 70,5% (2021) para 64,4% (2024), com variações intermediárias (68,1% em 2022 e 64,6% em 2023).
Empresas de grande porte chegam a taxas equivalentes a 75,4% de inovação (2024) e 77% (2022).
A adoção de tecnologias digitais avançadas (anos-base 2022 e 2024) passou de 84,9% (2022) para cerca de 89,1% (2024) das empresas, com destaques para a computação em nuvem: 73,6% (2022) → 77,2% (2024); Internet das coisas: 48,6% → 50,3%; robótica: 27,7% → 30,5%; Big Data: 23,4% → 27,8%; manufatura aditiva: 19,2% → 20,3%; Inteligência Artificial: 16,9% → 41,9% (maior crescimento); Práticas ambientais (ano base 2023).
O apoio público utilizado pelas empresas inovadoras cresceu em 2024 (38,6% das empresas) na comparação com 2023 (36,3% das empresas). O instrumento proporcionalmente mais utilizado em 2024 foi o Incentivo Fiscal à Pesquisa e Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (28,9%).

