Abinee apresenta propostas para mitigar impactos das tarifas impostas pelos EUA


A Abinee encaminhou ofícios para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e para o governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com propostas para mitigar os impactos das tarifas de 50% impostas pelos EUA sobre exportações industriais brasileiras, previstas para entrar em vigor no dia 1º de agosto.

Segundo a entidade, o tarifaço traz risco iminente de perda de competitividade das exportações nacionais, podendo provocar paralisação de embarques e queda de encomendas. No primeiro semestre deste ano, os EUA representaram 29% do total exportado pelo setor eletroeletrônico brasileiro, sendo o principal destino das vendas externas.

As propostas da Abinee enviadas para o MDIC contemplam o aumento temporário da alíquota do Reintegra; suspensão da tributação sobre insumos usados na produção de bens exportados; crédito presumido de IPI (ou PIS/Cofins) sobre exportações aos EUA; linhas de financiamento emergencial via BNDES ou Finep; desoneração temporária da folha de pagamento; ajustes no preço de transferência (transfer pricing); e o repasse de valores de Fundos Públicos Setoriais.

Para o governo estadual, a Associação propõe a aceleração dos processos de devolução de saldos credores acumulados de ICMS para empresas exportadoras aos EUA; ampliação e flexibilização dos regimes especiais de ICMS e criação de regime especial simplificado de suspensão do ICMS.

“As medidas representam instrumentos concretos de reação estratégica para que o Brasil mantenha sua capacidade de competir em escala global e não perca participação em cadeias globais de valor, especialmente na área de infraestrutura energética e industrial”, afirma o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato.

De acordo com a entidade, as propostas são de caráter temporário, ou seja, enquanto o tarifaço produzir efeito econômico prejudicial.

No 1º semestre de 2025, as exportações do setor somaram US$ 3,8 bilhões, 12% acima das ocorridas no mesmo período do ano passado. Os Estados Unidos foram os principais destinos das exportações de produtos do setor, totalizando US$ 1,1 bilhão no 1º semestre de 2025, com crescimento de 23% em relação ao igual período de 2024.

Os principais itens exportados para aquele mercado foram os transformadores (82% exportados aos EUA, totalizando US$ 346 milhões) e os motores e geradores (33% exportados aos EUA, US$ 108 milhões).

Segundo a Abinee, os impactos causados pelo tarifaço também deverão prejudicar o desempenho total da indústria eletroeletrônica, visto que as exportações representam em média 17% do faturamento do setor. No caso de produtos da área de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (GTD) e Equipamentos Industriais – principais segmentos afetados pela medida norte-americana – este percentual atinge 24% e 21% respectivamente.

Últimas Notícias

Brasil inicia processo para uso de microrreatores

O setor nuclear brasileiro registra um importante avanço para atender às atuais demandas por energia limpa e progresso tecnológico. Inédita no Brasil, uma unidade...

Setor de energia aposta em IA para eficiência energética e redução de emissões

A maioria (82%) dos CEOs de energia, recursos naturais e produtos químicos entrevistados pela KPMG acredita que a inteligência artificial (IA) pode ajudar a...

Atuação junto aos municípios amplia capacitação, conectividade e cadeias produtivas

Em 2025, a InvestSP, agência de promoção de investimentos vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, intensificou o trabalho direto com os municípios paulistas para...