Abinee faz balanço do ano e Alckmin reforça compromisso do governo com o setor eletroeletrônico


A Abinee realizou seu Encontro Anual da Indústria Elétrica e Eletrônica que reuniu mais de 550 lideranças empresariais, autoridades do Executivo e do Legislativo, além de representantes de instituições do setor produtivo. O evento ocorreu simultaneamente ao Fórum Nacional da Indústria da CNI, reforçando a convergência entre as agendas industriais e as políticas do governo federal.

Homenageado pela Abinee, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu uma política industrial voltada à inovação, sustentabilidade e reindustrialização verde. Em sua fala, ele apresentou os principais compromissos do governo para fortalecer o setor eletroeletrônico, incluindo a aprovação do Redata com ajustes que favoreçam a produção local.  Entre as alterações está a revisão da NCM 8471.49.00, para não permitir que possa ser utilizada para a importação de produtos com similar nacional sem o pagamento de impostos, apresentados sob a forma de sistemas. “Queremos aprovar o Redata ainda este ano e que ele seja um instrumento para fortalecer a nossa indústria eletroeletrônica”.

Outro tema foi a necessidade de derrubada de veto para garantir a prorrogação da Lei de TICs por mais 50 anos, equiparando-a à Zona Franca de Manaus. Alckmin se comprometeu a falar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para pautar o veto nas próximas semanas. “Temos que garantir lealdade concorrencial”.

Alckmin também falou sobre o aprofundamento das ações de combate ao contrabando do mercado irregular de celulares — cuja participação caiu de 25% para 12%, com meta de chegar a 5% —, a ampliação das exportações industriais para os Estados Unidos com redução de tarifas e a implementação da Reforma Tributária. Segundo o vice-presidente, essas medidas são decisivas para impulsionar a competitividade e podem elevar o PIB em até 12% nos próximos 15 anos, conforme estudo do Ipea.

O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou que o 5G já alcança quase 70% da população brasileira, com mais de 53 milhões de acessos ativos e desempenho entre os melhores do mundo. Ele ressaltou iniciativas como o programa Norte Conectado, que está instalando 14 mil km de fibra óptica na Amazônia, o Escolas Conectadas, o Wi-Fi Brasil e o programa Computadores para Inclusão. Mencionou ainda que o Brasil concentra metade do mercado latino-americano de data centers, com previsão de investimentos entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões nos próximos anos, e que a chegada da TV 3.0 abrirá um novo ciclo de inovação para fabricantes e fornecedores.

O presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, destacou os esforços realizados ao longo do ano para sustentar o desempenho do setor, abordando temas como a extensão da Lei de TICs, o combate ao mercado irregular de celulares, a modernização do setor elétrico, o Redata e a regulamentação da Reforma Tributária. Ele ressaltou que 2026 será um ano desafiador, em razão das eleições gerais, e reafirmou que a Abinee continuará atuando pela competitividade, inovação e fortalecimento da produção local.

O presidente do Conselho da Abinee, Claudio Lorenzetti, enfatizou que o setor eletroeletrônico está no centro da digitalização e da transição verde, e que o Brasil possui vantagens competitivas, como sua matriz elétrica majoritariamente renovável, que podem atrair novos investimentos — desde que o país assegure políticas de Estado e um ambiente regulatório estável. Já o deputado federal Vitor Lippi observou que o desenvolvimento do Brasil depende diretamente de uma indústria forte, especialmente a de base tecnológica, e destacou avanços recentes como a reforma tributária, a modernização das políticas de semicondutores, o Marco de Inteligência Artificial, o Redata e o leilão de baterias.

Os deputados Jonas Donizetti, Carlos Zarattini, Lucas Ramos e Vitor Lippi (presidente da Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento da Indústria Elétrica e Eletrônica) falaram sobre a atuação do Parlamento sobre temas estratégicos para o desenvolvimento tecnológico e industrial.

Participaram ainda o secretário de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital do MCTI, Henrique Miguel; a secretária Executiva do Ministério das Comunicações, Sônia Faustino. O encontro contou ainda com Raphael Eugênio de Souza, auditor fiscal da Receita Federal e coordenador-geral de Combate ao Contrabando e Descaminho, representando o secretário especial da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas; Igor Nazareth, da Embrapii, representando o presidente Álvaro Prata; José Luís Gordon, representando o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante; Mariana Rodrigues, representando o secretário de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Jorge Lima.

Durante o evento, foram homenageados o engenheiro Fabian Yaksic, o engenheiro José Sebastião Viel e o secretário Henrique Miguel, reconhecidos por suas contribuições ao desenvolvimento industrial e tecnológico do país.

O levantamento do setor mostra que a indústria elétrica e eletrônica encerrou 2025 com faturamento de R$ 270,8 bilhões, um crescimento real (descontada a inflação) de 4% na comparação com 2024.

Os indicadores de emprego e investimentos também apresentaram alta em 2025. O número de empregados cresceu 1%, encerrando o ano com 288 mil trabalhadores, 3,5 mil vagas a mais que no final de 2024 (284,5 mil trabalhadores). Já os investimentos tiveram aumento de 9%, passando de R$ 4,3 bilhões para R$ 4,7 bilhões em 2025.

A produção física do setor apresentou queda de 1,4% em relação ao ano passado, resultado da redução de 2% na área eletrônica e de 0,8% na área elétrica. A utilização da capacidade instalada permaneceu estável em 78%.

“O ano surpreendeu positivamente, mesmo diante de um cenário desafiador”, afirma o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato. “O crescimento no faturamento pode ser explicado pela mudança no perfil de consumidor que tem buscado produtos mais sofisticados e novas tecnologias”, disse.  Segundo ele, áreas estratégicas como data centers e inteligência artificial também têm impulsionado investimentos e ampliado a demanda por tecnologia de ponta no país. No caso do setor elétrico, os investimentos foram puxados pela ampliação da capacidade produtiva para atendimento da demanda. “Essa evolução reforça a maturidade do setor e sua capacidade de responder rapidamente às transformações do mercado.”

Neste ano, a participação do mercado irregular de celulares no país recuou de 19% para 12% das vendas, resultado direto da atuação coordenada da Abinee com a Anatel, a Senacon, a Polícia Federal, a Receita Federal e o Legislativo.

“Essa queda mostra que a exposição sistemática do problema, somada às ações de fiscalização, comunicação e aprimoramento regulatório, está trazendo resultados concretos”, afirma Barbato. Segundo ele, as medidas adotadas ao longo do ano intensificaram o combate à entrada ilegal de aparelhos — que chegam ao país por descaminho e são distribuídos principalmente por marketplaces. “Embora o avanço seja significativo, essa prática ainda preocupa e exige ações permanentes. Esperamos que, com a continuidade dessas ações, o índice possa recuar substancialmente já em 2026”, completa.

Outro destaque positivo de 2025 foram as exportações do setor, que apresentaram aumento de 3%, totalizando US$ 7,9 bilhões. Destacaram-se os crescimentos nas vendas externas de bens de Telecomunicações (22%) e Utilidades Domésticas (20%). Os produtos de Eletrônica Embarcada foram os principais itens exportados do setor, totalizando US$ 880 milhões, 19% acima do resultado de 2024. Os Estados Unidos foram o principal destino das exportações, correspondendo a 26% do total do setor.

As importações cresceram 3%, somando US$ 49,1 bilhões. As áreas que apontaram as maiores taxas de crescimento nas importações foram Máquinas para Processamento de Dados (32%), Componentes para Utilidades Domésticas (19%) e Eletrônica Embarcada (17%). Individualmente, o produto mais importado foram os semicondutores (US$ 6 bilhões). A maior parte (45%) das importações do setor é proveniente da China.

Dessa forma, o déficit da balança comercial totalizou US$ 41,1 bilhões, resultado 3% superior ao apresentado em 2024 (US$ 40 bilhões).

Perspectivas para 2026

Os principais indicadores da indústria eletroeletrônica deverão registrar no próximo ano incrementos mais discretos do que os verificados em 2025.

O faturamento do setor deverá somar R$ 289 bilhões em 2026, crescimento real de 3% (descontada a inflação) em relação a 2024, com taxas positivas em quase todas as áreas. A produção física do setor deverá ficar estável.  A previsão é de aumento na mão de obra empregada no setor, que deverá passar de 288 mil funcionários para 292 mil no final de 2026. Já a utilização da capacidade instalada deverá cair de 78% para 77%.

Os investimentos deverão totalizar R$ 5 bilhões, resultado 7% acima do verificado em 2025. A expectativa é de que as exportações continuem contribuindo com o desempenho do setor, com elevação de 3%, e as importações cresçam 2%.

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