Na sede da Fiepa – Federação das Indústrias do Estado do Pará, o Amazon Energy 2026 discutiu o futuro da matriz energética na Região Norte, reforçando o protagonismo da Amazônia na agenda de transição global. Se a abertura do encontro foi marcada pelo posicionamento do presidente da FIEPA, Alex Carvalho, por um modelo econômico que supere polarizações e equilibre desenvolvimento e conservação, ao longo do evento surgiram propostas práticas e articulação de mercado. A programação final foi marcada pelo aprofundamento de temas técnicos, pela realização de uma Rodada de Negócios e pela leitura da Carta Belém II, documento que unifica os estados da Margem Equatorial.
Os painéis debateram a infraestrutura e a regulação necessárias para sustentar o crescimento regional. Especialistas e executivos do setor analisaram o panorama de investimentos e a distribuição de gás natural no Pará, apontando caminhos para novos empreendimentos energéticos em debates que contaram com representantes da Gás do Pará e da New Fortress. Em paralelo, a agenda regulatória nacional, os gargalos logísticos e as perspectivas para a geração e distribuição de energia sob a ótica amazônica foram centralizados por representantes da CNI, Norte Energia, Equatorial Energia, ABPIP e Firjan.
O debate regulatório ocorreu com a participação da diretora da ANP Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Symone Araújo. Na oportunidade, ela informou que o próximo leilão de blocos exploratórios não contará com áreas localizadas nas costas do Amapá, Pará e Maranhão, em razão dos entraves relacionados aos processos conduzidos pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e pelo IBAMA. Symone alertou para o risco de perda da autossuficiência do país no médio prazo.

“Entendemos que não haverá futuro energético no Brasil sem adição de reservas. Caso contrário, passaremos a importar petróleo, provavelmente um óleo de melhor qualidade comercial, mas com maior pegada ambiental. Hoje, o petróleo brasileiro emite, em termos de gases de efeito estufa, menos da metade da pegada média mundial. Isso se deve à tecnologia, ao esforço de descarbonização e, principalmente, à elevada produtividade dos nossos poços, especialmente no Pré-sal”, declarou a diretora.
O impacto desse cenário na economia regional foi prontamente avaliado pelo setor produtivo. “Outro ponto destacado é a necessidade de assegurar a continuidade da campanha exploratória atualmente em andamento. Embora reconheça os avanços obtidos com a perfuração do poço Morpho, a Carta Belém II alerta que a falta de autorização para novos poços poderá provocar a desmobilização de sondas, embarcações, bases logísticas, fornecedores e profissionais especializados, interrompendo uma cadeia produtiva que começa a se estruturar na região”, apontou o presidente da FIEPA, Alex Carvalho.

Diante disso, os debates convergiram para o entendimento de que a segurança energética regional envolve, necessariamente, a diversificação de matrizes. A sustentabilidade e a integração de tecnologias limpas ganharam espaço com discussões sobre como a energia solar, eólica e de biomassa podem atuar de forma complementar às grandes usinas para garantir a estabilidade do sistema elétrico na Amazônia. O debate, que reuniu visões da ABSOLAR, Sindicanalcool e Grupo Solví, dialogou com a necessidade de uma gestão estratégica para a execução segura de projetos complexos no bioma. Além disso, o fortalecimento do mercado local foi abordado sob a ótica fiscal, aproximando empresários e fornecedores da tributação prática do setor, com destaque para o funcionamento de regimes especiais, detalhado por especialistas da INFIS e da Petrobras.
Rodada de Negócios
Para além dos debates teóricos, o Amazon Energy promoveu a conexão direta com o mercado por meio de uma Rodada de Negócios, estruturada para impulsionar a inserção de fornecedores paraenses nas cadeias produtivas de grandes compradoras de óleo, gás e renováveis. A iniciativa alinhou-se às estratégias apresentadas por representantes da CODEC, SEMAS e SEDEME, que detalharam as políticas públicas do Governo do Pará voltadas para a atração de investimentos, simplificação de licenças e qualificação profissional, visando reter o valor econômico dos grandes projetos dentro do próprio território.
O desfecho do evento foi consolidado com a leitura da Carta Belém II, manifesto que reúne lideranças da Margem Equatorial em torno de 14 prioridades estratégicas para transformar a região em um polo internacional de desenvolvimento sustentável. O documento defende maior segurança jurídica e previsibilidade nos processos de licenciamento ambiental, o fortalecimento da cadeia regional de fornecedores, investimentos em infraestrutura logística e a criação de uma Política Nacional de Desenvolvimento da Margem Equatorial, além da institucionalização de um Fórum Permanente de acompanhamento. Na conclusão do manifesto, os participantes reiteraram que a exploração responsável dos recursos deve caminhar de forma integrada com a transição energética justa e a inclusão social, posicionando a Amazônia como protagonista de um novo ciclo de competitividade baseado na sustentabilidade.

