Em 2026, a Beckhoff Brasil completa 20 anos de atuação no mercado brasileiro, uma trajetória associada à automação baseada em PC, ao avanço da comunicação industrial em tempo real e à crescente integração entre controle, computação e conectividade. A história começou a ser construída ainda antes, quando a operação brasileira no país se dava por meio de distribuição, entre 2000 e 2005.
A estrutura inicial brasileira estava concentrada em São Bernardo do Campo, com estoque, vendas e suporte técnico. O crescimento levou à abertura da unidade de Campinas em 2009 e, posteriormente, das operações de Joinville, em 2011, e Novo Hamburgo, em 2012. Em agosto daquele ano, a empresa também mudou sua estrutura para Santo André, onde instalou showroom, assistência técnica, treinamento e estoque. A expansão regional prosseguiu com atividades no Vale do Paraíba e Sul de Minas, na região de Araraquara e, mais recentemente, em Chapecó, ampliando a proximidade com polos industriais. Atualmente, a empresa possui 34 profissionais especializados no país e mantém sede em Santo André, além de escritórios em Joinville e Novo Hamburgo.
Um dos marcos de destaque nessa retrospectiva dos 20 anos foi um projeto de automação iniciado em 2009, o maior projeto de automação industrial da América Latina naquele momento. Com três anos de implementação, a solução permitiu consolidar informações de produção de unidades de bebidas no Brasil, atendendo a uma necessidade de controle e acompanhamento em escala nacional.
A arquitetura tecnológica base da trajetória da Beckhoff combina três elementos: PC industrial como plataforma de processamento, software de controle em tempo real e uma rede de comunicação de alta velocidade. Essa filosofia rompe com a lógica de controladores dedicados e utiliza a capacidade computacional dos PCs para executar aplicações de automação, enquanto o software permite combinar funções de PLC, movimento, CNC, robótica e outras tarefas em uma mesma plataforma. É uma arquitetura que a própria Beckhoff identifica como fundamento de sua filosofia de controle baseado em PC desde 1986.
O terceiro elemento dessa arquitetura é o EtherCAT, tecnologia de Ethernet em tempo real desenvolvida pela Beckhoff e apresentada em 2003. Segundo a empresa, a tecnologia foi concebida para comunicação de alta velocidade, sincronização precisa e integração flexível de dispositivos de campo. O protocolo se tornou um padrão aberto IEC e hoje integra um ecossistema internacional de fabricantes e usuários.
Essa arquitetura também ajudou a antecipar conceitos que posteriormente ganharam força com a Indústria 4.0. A combinação de computação, software em tempo real e comunicação rápida já permitia trabalhar com produção altamente variável, integração de dados e redução do tamanho físico dos sistemas de controle. A Beckhoff relaciona essa evolução à chamada mass customization e à integração entre tecnologia da informação e tecnologia de automação. Atualmente, suas plataformas TwinCAT incorporam também recursos para IoT, análise de dados, monitoramento de condição e conexão com serviços em nuvem.
Ao longo das duas décadas no Brasil, a tecnologia foi aplicada em segmentos bastante distintos: máquinas de embalagem e máquinas-ferramenta, processos especiais, açúcar e álcool, energia eólica e hidrelétrica, óleo e gás, automotivo, alimentos, farmacêutico, automação predial e pesquisa científica. Entre as referências iniciais de sua atuação, a Bekhoff conta com o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, com aplicações de automação predial e de tratamento de água e efluentes, o Centro Administrativo de Minas Gerais e projetos ligados à mobilidade elétrica – 80% da energia eólica no Brasil conta com tecnologia Beckhoff -; a empresa também tem participação em um projeto de acelerador de partículas no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.
A expansão não ocorreu apenas pela estrutura própria. A Beckhoff vem ampliando sua rede de integradores e, durante a celebração de 20 anos, destacou o programa Beckhoff Certified Developer (BCD), criado para aproximar, capacitar e reconhecer empresas que investem no desenvolvimento de aplicações; sua proposta é fortalecer a capacidade técnica regional e ampliar a implantação de soluções baseadas na plataforma Beckhoff. Foram homenageadas diversas empresas que já fazem parte desse programa, como a CMotion, D2 Eng, DKV, Groupwork, RB Automação e SPIN ENGENHARIA.
Depois de 20 anos, portanto, a trajetória brasileira acompanha uma transformação mais ampla da automação: do controle isolado de máquinas para arquiteturas computacionalmente intensivas, conectadas e capazes de integrar controle, movimento, dados, análise e comunicação. O desafio para o próximo ciclo é levar essa arquitetura a novas aplicações, em um ambiente industrial no qual digitalização, conectividade, eficiência energética, inteligência artificial e integração OT/IT passam a ser cada vez mais determinantes.



















