O Brasil deve investir R$ 104,6 bilhões em cibersegurança até 2028, segundo projeções da Brasscom – Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação. O dado faz parte do Relatório de Cibersegurança 2025 – Panorama e Insights, divulgado no final de julho, que traça um diagnóstico sobre os avanços, desafios e tendências da segurança digital no país. A projeção representa um crescimento de 43,8% em relação ao período de 2021 a 2024, refletindo a crescente preocupação de empresas e instituições públicas com os riscos no ambiente digital.
O setor financeiro, em particular, tem protagonizado esse movimento. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, os bancos investem cerca de R$ 5 bilhões por ano em sistemas de tecnologia da informação (TI) voltados para segurança – valor que corresponde a cerca de 10% dos gastos totais do setor com TI para garantir a tranquilidade de seus clientes em suas transações financeiras cotidianas.
O estudo da Brasscom ressalta que o Brasil conquistou um reconhecimento importante no cenário internacional. É o único país da América do Sul classificado como Tier 1 no Global Cybersecurity Index (GCI), elaborado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT). A posição reflete o compromisso do país com a agenda global de cibersegurança, incluindo a adoção de políticas públicas, marcos regulatórios e cooperação internacional.
Outro ponto abordado pela Brasscom é o mercado de trabalho na área. O número de profissionais que atuam em segurança da informação tem crescido a uma média anual de 16,1% desde 2015. Apenas em 2023, foram registradas 1.849 formações na área, um aumento de 15,3% em relação ao ano anterior. Apesar disso, o déficit de mão de obra ainda é considerado elevado, especialmente diante da complexidade crescente dos sistemas e da sofisticação dos ataques.
A expectativa é que iniciativas como o programa “Hackers do Bem”, que visa capacitar até 30 mil profissionais até o fim de 2025, ajudem a mitigar esse desequilíbrio. Para a Brasscom, será fundamental ampliar a formação técnica e estimular parcerias entre setor público, setor privado e instituições de ensino para suprir a demanda por talentos especializados.
Apesar dos avanços, o Brasil segue liderando um ranking indesejado: de acordo com o relatório, o país é o principal alvo de ataques cibernéticos no mundo. Somente em 2023, registrou aproximadamente 60 bilhões de tentativas de ataques. Em março de 2025, cerca de 38% da população brasileira foi alvo de golpes ou tentativas de fraude bancária.
O percentual ratifica o que a 17ª edição da pesquisa Observatório Febraban trouxe em julho: 39% dos brasileiros afirmam já ter sido vítimas de algum tipo de golpe ou tentativa de golpe envolvendo sua conta bancária.



