Brasil pode se beneficiar do modelo de transição energética liderado pela China


A equipe de economistas da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, divulgou um novo estudo chamado “The electro-state era: from Made in China to Powered, Designed & Financed by China?”, que destaca a posição do Brasil como um dos países que pode se beneficiar do modelo de transição energética liderado pela China. 

O estudo ressalta que a aceleração da indústria de tecnologias limpas (clean-tech) na China, impulsionada pela coordenação política estatal e engajamento do setor privado, serve como um “blueprint” (projeto/modelo) para outras nações que buscam uma matriz energética menos dependente de combustíveis fósseis.
Brasil: modelo de sucesso

O Brasil é mencionado como um país que, a exemplo da África do Sul, poderia replicar este modelo de sucesso. O relatório mostra que a combinação chinesa de política industrial, investimento em infraestrutura e cooperação internacional pode ser replicada em economias emergentes para descarbonizar sem sacrificar o desenvolvimento. Inclusive, os ganhos de produtividade na China, impulsionados pela transição energética e por uma demanda interna mais forte poderiam, em teoria, permitir que os colaboradores trabalhassem menos, sustentando a demanda interna e tendo, ao mesmo tempo, padrões de vida mais elevados. Na China, a média de horas anuais trabalhadas é de 2.328, 40% maior do que a média brasileira de 1.657 horas.

A alta média foi acompanhada, no relatório, por um alto índice de inovação para a China. A capacidade de inovação do país tem apresentado ganhos consistentes, entrando no top 10 global em 2025 no Índice Global de Inovação da WIPO, subindo da 29ª posição em 2015. Os chineses ultrapassaram a Alemanha (11ª), enquanto a Suíça (1ª), a Suécia (2ª) e os EUA (3ª) continuam a liderar globalmente. O Brasil também melhorou seu ranking, passando da 70ª posição em 2015 para a 52ª em 2025.

O relatório aponta ainda dois pilares fundamentais que estarão em foco. Primeiro, a inovação e a Inteligência Artificial como multiplicadores de crescimento: impulsionar a produtividade apoiando-se no potencial inovador da China (10ª posição no ranking global) e em sua liderança compartilhada com os Estados Unidos na corrida global da IA. O crescimento da produtividade total dos fatores (PTF) na China vem diminuindo gradualmente nos últimos anos. Nesse contexto, é provável que as autoridades chinesas continuem concentrando seus esforços de política pública em pesquisa, desenvolvimento e inovação. 

Os autores reforçam que a inovação e a IA podem ajudar a elevar a produtividade, especialmente em setores manufatureiros como químicos, processamento de alimentos, metais e mineração, máquinas e equipamentos elétricos, madeira e móveis, têxteis e equipamentos de comunicação, computadores e outros equipamentos eletrônicos. Nesses setores, estima-se que um aumento de 10% na intensidade de P&D resulte em um crescimento médio de 7% na produtividade. 

China e EUA estão praticamente empatados na liderança global em IA — por enquanto. Os dados revelam um equilíbrio notável de forças complementares.

De forma geral, os economistas acreditam que a corrida global da IA está se consolidando como uma disputa de dois modelos: de um lado, a inovação em larga escala da China; de outro, o modelo americano movido por capital e tecnologia — deixando a Europa mais isolada desse embate. 

Os economistas apontam ainda que a China se estabeleceu como uma líder global em clean-tech, concentrando a maioria dos seus investimentos recordes em energias renováveis. Este foco estratégico a posicionou como líder mundial na capacidade de produção industrial relacionada à energia limpa, representando 60% da capacidade global de manufatura em tecnologias solar, eólica e de baterias. 

Embora existam desafios, como as preocupações com excesso de capacidade, a liderança clean-tech da China demonstra que a transição energética é ambiciosa e alcançável quando apoiada por política coordenada, inovação e colaboração internacional. A queda de mais de 80% nos preços dos módulos fotovoltaicos solares na última década é um exemplo, permitindo que economias em desenvolvimento, como o Brasil, avancem diretamente para as fontes renováveis.

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