A Chevron deu mais um passo para consolidar sua posição em Vaca Muerta ao apresentar ao governo argentino um projeto de investimento estimado em US$ 13,8 bilhões para o desenvolvimento da área de El Trapial, localizada na província de Neuquén. O plano, um dos maiores compromissos individuais já anunciados para a formação não convencional argentina, foi submetido ao Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI), instrumento criado pelo governo de Javier Milei para atrair capital privado de longo prazo para setores considerados estratégicos.
A proposta contempla o desenvolvimento integral do bloco El Trapial, operado integralmente pela Chevron, com a perfuração de centenas de poços horizontais, ampliação da infraestrutura de processamento de gás e líquidos, sistemas de manejo de água e instalações de midstream integradas à crescente rede de exportação energética da Argentina.
Caso obtenha aprovação no RIGI, o empreendimento passará a contar com um conjunto de benefícios tributários, cambiais e regulatórios concebidos para reduzir riscos de investimento em projetos de longa maturação. Entre os incentivos previstos estão a redução da alíquota efetiva do imposto corporativo para 25%, mecanismos de depreciação acelerada, isenções tributárias sobre determinadas exportações, estabilidade regulatória por 30 anos e acesso à arbitragem internacional para resolução de disputas.
O anúncio representa um marco para a expansão da Chevron na Argentina. A companhia já atua em Vaca Muerta por meio de sua participação de 50% em Loma Campana, um dos principais ativos de shale oil da Argentina, operado em parceria com a estatal argentina YPF. Em El Trapial, entretanto, a empresa pretende conduzir o desenvolvimento de forma independente, transformando a área em um dos seus principais vetores de crescimento fora dos Estados Unidos.
Segundo estimativas divulgadas pelo mercado, a meta da companhia é praticamente triplicar sua produção proveniente de Vaca Muerta até meados da próxima década. O projeto sucede investimentos iniciais superiores a US$ 500 milhões já realizados pela empresa em atividades exploratórias e de avaliação do potencial não convencional da área.
Para analistas do setor, a iniciativa sinaliza que o novo marco regulatório argentino começa a produzir efeitos concretos na atração de grandes investimentos internacionais. Executivos da Chevron vinham indicando há anos que a previsibilidade tributária, cambial e jurídica seria um requisito essencial para uma expansão em larga escala das operações no país.
A movimentação da companhia ocorre em um momento de forte aceleração dos projetos em Vaca Muerta. A própria YPF apresentou recentemente um plano de investimentos estimado em cerca de US$ 25 bilhões para ampliar a produção de petróleo da formação, enquanto diversos operadores buscam expandir a infraestrutura de transporte necessária para viabilizar exportações crescentes para mercados internacionais.
Considerada uma das mais importantes fronteiras energéticas do mundo, Vaca Muerta abriga a segunda maior reserva global de gás natural não convencional e a quarta maior reserva de petróleo não convencional. Desde o início de sua exploração em escala industrial, em 2013, a formação recebeu dezenas de bilhões de dólares em investimentos e tornou-se peça central da estratégia argentina para ampliar exportações, fortalecer a balança comercial e consolidar sua posição como fornecedor internacional de energia.
Mais do que um investimento isolado, o projeto da Chevron é visto pelo mercado como um teste relevante para o novo ambiente de negócios argentino. A aprovação do empreendimento poderá servir como referência para uma nova onda de aportes internacionais em exploração e produção, infraestrutura de transporte e processamento de hidrocarbonetos, acelerando a transformação de Vaca Muerta em um dos principais polos globais de desenvolvimento de recursos não convencionais.

