Realizado em 19 e 20 de agosto, no Parque Tecnológico de Sorocaba (SP), o Conecta Indústria 2026 colocou em um mesmo ambiente, indústria, fornecedores de tecnologia, startups, academia, instituições de fomento e poder público para discutir um problema que deixou de ser exclusivamente tecnológico: como aumentar a competitividade da indústria brasileira diante de mudanças econômicas, tributárias, energéticas, geopolíticas e tecnológicas simultâneas.
Essa terceira edição reuniu 53 empresas, 18 palestras e 16 horas de conteúdo, com expectativa de mais de 2,5 mil participantes. A agenda incluiu Indústria 4.0, automação, inteligência artificial, mobilidade sustentável, ESG, energias renováveis, Reforma Tributária, cadeias produtivas, inovação e fomento.
O Conecta não foi estruturado apenas como uma exposição de tecnologias: a organização o define como um ambiente para conectar indústria, inovação, tecnologia e desenvolvimento, reunindo empresas, especialistas, startups, academia e poder público para gerar negócios e compartilhar conhecimento.

Jorge Lima, Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, frisou que é preciso conhecer o mercado e as necessidades do consumidor baseado em dados, ou seja, produzir para quem compra, não o que se quer produzir. O secretário pediu atenção para o planejamento estratégico de curto prazo porque, com mudanças acontecendo muito rápido, pode não ser possível fazer planejamentos para prazos maiores que 2 anos. E lembrou das tecnologias para suporte nas decisões. Aprender a usar tecnologia (IA) para habilitar e acelerar negócios; fazer a leitura de mercado com dados; perceber que gestão e governança são habilitadoras e não diferencial; e que boas oportunidades podem estar nas pequenas e médias empresas. O raciocínio é particularmente importante para a transformação digital. Dados não deveriam servir apenas para gerar dashboards ou alimentar algoritmos: precisam melhorar a capacidade de uma empresa entender demanda, antecipar mudanças e decidir onde colocar capital e capacidade produtiva.
A indústria não pode mais olhar apenas para dentro da fábrica
A transformação da indústria acontece quando pessoas, tecnologia e inovação se conectam, e o evento reforçou uma questão técnica que vem ganhando importância: digitalização não é sinônimo de competitividade.
Uma fábrica pode instalar sensores, sistemas de supervisão, robôs, inteligência artificial e plataformas de dados e continuar pouco competitiva se não conseguir integrar essas tecnologias aos processos, às pessoas, à manutenção, à engenharia, à cadeia de suprimentos e às decisões de negócio.
O próprio posicionamento do Conecta aponta nessa direção ao combinar transformação digital e IA com fomento, crédito, sustentabilidade, mobilidade e desenvolvimento empresarial.
Cadeia de fornecedores: o debate mais concreto do evento

Um dos exemplos mais objetivos apresentados no Conecta veio da parceria entre Sebrae-SP e Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).
O painel “Desenvolvimento da Cadeia Produtiva Local”, apresentou um programa que reúne 45 empresas de oito municípios da região para desenvolvimento de fornecedores. Segundo o Sebrae-SP, 30 empresas avançaram para uma segunda etapa, com consultorias individuais e atividades coletivas, enquanto outras 15 seguem em uma trilha de fortalecimento.
O projeto coloca em prática um conceito que costuma aparecer de maneira abstrata nas discussões sobre indústria 4.0: a competitividade precisa alcançar toda a cadeia produtiva.
Para a CBA, o desenvolvimento de fornecedores locais pode significar maior agilidade, menor custo logístico e fortalecimento da cadeia de suprimentos. Para as pequenas empresas, significa desenvolver gestão, qualidade, segurança, sustentabilidade e capacidade de atender às exigências de uma grande indústria.
IA aparece como infraestrutura de negócio
A inteligência artificial foi um eixo central do evento. A programação oficial incluiu especialistas de empresas como Google Cloud e Schaeffler, além de representantes do SiDi, SENAI-SP e da EMBRAPII.
Um ponto importante é o fato de a IA ter sido colocada dentro de uma agenda que também discutia competitividade, automação, financiamento, sustentabilidade e desenvolvimento industrial. Isso aproxima o debate do que efetivamente interessa às plantas industriais: onde a IA pode gerar resultado mensurável?
Entre as aplicações discutidas estão planejamento de produção, manutenção preditiva, inspeção visual, otimização energética, engenharia, gestão de estoques, supply chain e apoio à decisão.
O evento também colocou mobilidade sustentável, energias renováveis e ESG nas conversas, associando esses temas à descarbonização e às soluções de baixo impacto ambiental.
Suporte regional
A Rede Ambientes Paulistas de Inovação (Rede API) destacou a realização do evento no Parque Tecnológico de Sorocaba e sua capacidade de aproximar empresas, startups, especialistas, academia e poder público. O CIESP Sorocaba também divulgou sua parceria institucional com o evento, ressaltando inovação, competitividade, desenvolvimento empresarial e conexões estratégicas.
Esse aspecto regional é mais importante do que pode parecer. Uma política industrial eficiente não depende somente das grandes empresas. Ela precisa de um ecossistema territorial capaz de fornecer mão de obra, fornecedores, tecnologia, serviços especializados, crédito e instituições de pesquisa.

