Congresso de bioinsumos debate sustentabilidade e regulamentação do setor

Danilo Lysei/ CLB

A CropLife Brasil participou do congresso setorial BioSummit 2026, em Campinas-SP, que teve como tema “Bioinsumos e Agricultura Regenerativa: Cultivando o Futuro Sustentável”. No encontro, a CLB integrou dois momentos da programação e apresentou os atuais indicadores do segmento – que atingiram R$ 6,2 bilhões em valor de mercado (+15%) e somaram 194 milhões de hectares tratados (+28%), em 2025. A entidade compartilhou, ainda, os aprendizados da indústria e as perspectivas para o setor, em meio ao processo de regulamentação do Marco Legal. Durante dois dias, a 3ª edição do evento reuniu cerca de 1,2 mil participantes durante entre especialistas, produtores e empresas para tratar sobre eficiência produtiva, cenário e mercado

Para posicionar o momento estratégico do setor, o Painel Regulatório do eventoreuniu os participantes do Grupo de Trabalho (GT) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para debater os avanços da Lei de Bioinsumos e como estão atuando durante o período de transição até a publicação do decreto de regulamentação. A gerente de Regulatório da CLB, Julia Pupe, reforçou a importância do passo decisivo para o país, que promoverá previsibilidade e segurança jurídica, sobretudo à indústria.

“Várias entidades participaram do painel e vimos que todas as falas foram complementares, indicando que precisamos de previsibilidade regulatória e segurança para garantir que produtos inovadores cheguem ao produtor. Enquanto a gente não tem o decreto final, normas complementares estabelecidas e revisadas, estamos buscando entender quais são as regras desse processo de transição”, sintetizou

Compuseram a mesa Amanda Bulgaro da AENDA, Fabio Yoshio Kagi do Sindiveg, Julia Emanuela da ANPII Bio, Marcos Pupin da ABBI e Rodrigo Souza da ABINBIO. A mediação foi feita pelo coordenador do GT de Bioinsumos do Mapa, Henrique Blay. Segundo a autoridade, o momento de discussão é essencial para a convergência de ideias e balizar as expectativas.

“O decreto regulamentador precisa ser robusto o suficiente para estabelecer as diretrizes principais de segurança jurídica para empresas investirem. Porém, também tem que ser flexível o suficiente para prever novas tecnologias, alguns produtos que ainda estão em desenvolvimento e permitir que a gente faça então essa padronização em atos complementares sobre jurisdição do Mapa. Nós temos todo um processo de consultas, contribuições técnicas, revisão e pareceres jurídicos dos ministérios envolvidos, neste caso da Agricultura, Meio Ambiente e Saúde, além de outros interessados, como o de Desenvolvimento Agrário e MDIC. A partir disso, o texto vai para Casa Civil onde é feita a última mediação do tema. Nós estamos trabalhando para que isso seja concluído ainda em 2026”, adiantou Bley

A diretora de Bioinsumos da CLB, Amália Borsari, comandou a palestra “Consolidando o Brasil como Hub de Bioinsumos: Aprendizados e Perspectivas”e trouxe os principais avanços setoriais, dados e impactos no campo e estratégias de impulsionar o mercado dos insumos biológicos. A fala reuniu cerca de 90 participantes entre pesquisadores e lideranças empresariais. Segundo Borsari, a reflexão é que o debate já não é mais se os bioinsumos são promissores, mas sim como transformar vantagem comparativa em liderança competitiva global.

“O Brasil avançou muito nesta tecnologia, os dados mostram isso. Como vocês sabem, o biológico não tem um benchmarking internacional. O que temos hoje de mercado nacional veio muito do empreendedorismo do Brasil e da ciência tropical desenvolvida aqui. Até mesmo os produtos que vêm do exterior, precisam passar por uma análise completa no campo, dentro da tropicalidade aqui existente, para avançar com a tecnologia. Hoje, a discussão está na regulamentação e de como a gente torna esses fluxos mais previsíveis e com análise aprimorada, de modo a impulsionar o mercado global”, apresentou

Em sua apresentação, Amália mostrou como o Brasil avançou neste setor devido a uma regulação técnica, pragmática e baseada em risco real (principalmente em biodefensivos). Para os produtores, a qualidade dos produtos e o suporte técnico sobrepõe o preço na decisão de uso. Na oportunidade, a diretora apresentou o projeto renera – Brazilian Bioinputs Innovation Hub, iniciativa estratégica entre a CropLife Brasil e a ApexBrasil para liderar a escala global das soluções baseadas na natureza, conectando biodiversidade, ciência brasileira, produção agrícola e mercado. O objetivo é consolidar a exportação dos produtos e impulsionar a bioinovação.

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