Conselhão faz balanço, traz mapa do Caminho e pode se tornar permanente

Foto: Foto: Ricardo Stuckert/PR

Durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, destacou números que mostram a retomada do setor industrial brasileiro nos últimos anos e os recordes do comércio exterior.

“Depois de 14 anos, nós assistimos e colecionamos alguns indicadores favoráveis ao crescimento da indústria. Ela cresceu em 2024, com o lançamento da Nova Indústria Brasil (NIB), 3,1%. Neste primeiro quadrimestre, ela já avançou 1,7%”, destacou o ministro ao pontuar que o cenário tem reflexo positivo no mercado de trabalho. O Brasil registrou a menor taxa de desemprego, fixada em 5,6%, e recorde de 103 milhões de pessoas empregadas.

Para impulsionar o desenvolvimento, a Nova Indústria Brasil (NIB) disponibiliza R$ 713 bilhões, por meio do Plano Mais Produção. Até agora, já foram contratados 428 mil projetos, com potencial de regionalização da política industrial. “O bom é que 61% desses projetos estão no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. É preciso regionalizar e internalizar o desenvolvimento”, avaliou o ministro.

Para ele, um dos grandes resultados da efetividade da NIB é a expressiva atração de investimento privado. Nas seis missões que compõem a política industrial, a iniciativa privada lidera os aportes em quatro delas. Além disso, no programa MOVER, voltado à mobilidade verde e inovadora, o governo reservou R$ 19 bilhões em créditos tributários, o que estimulou R$ 190 bilhões em investimentos anunciados pelos setores automotivo e de autopeças.

“Nós precisamos continuar desenhando políticas como, por exemplo, a depreciação acelerada, de renovação do parque fabril, e outras que levem a essa indústria mais resiliente e capaz de ser, de fato, mais produtiva e exportadora”, afirmou o ministro.

Brasil está exportando como nunca

“O crescimento das exportações e importações, do fluxo de comércio no Brasil, no ano passado, foi de 6,2%, que é o topo da média colecionada pela Organização Mundial do Comércio. Graças ao BNDES, à ABDI e à Embrapii, nós temos hoje uma expansão viva da nossa base exportadora”, afirmou Márcio Elias Rosa. Em 2025, o Brasil chegou a 29.818 empresas exportadoras, o maior número da série histórica.

De acordo com o ministro, a consolidação de novos acordos internacionais, a exemplo do tratado Mercosul-União Europeia e EFTA, posiciona o país de forma estratégica no protagonismo global.

Para fortalecer os avanços gerados por essa pauta econômica positiva, o ministro Márcio Elias Rosa anunciou que, a partir de junho, iniciará um ciclo de visitas a federações das indústrias e associações comerciais em parceria com a ABDI, ApexBrasil e BNDES. As missões terão o objetivo de difundir os mecanismos de crédito da NIB e os novos acordos internacionais.

De acordo com o ministro, os encontros também terão como tema central a Política Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio. A iniciativa visa engajar o setor produtivo no debate cotidiano sobre a eliminação da violência contra a mulher, combatendo ativamente as repercussões desse problema social dentro do ambiente corporativo e fabril.

Mudança de status

A proposta de transformar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, conhecido como Conselhão, em um órgão previsto na Constituição ganhou força na reunião com a sugestão apresentada por Fernando Guimarães, coordenador do Direitos Já! Fórum pela Democracia, entidade que reúne representantes de partidos políticos e da sociedade civil. A proposta busca garantir estabilidade institucional ao colegiado e impedir que sua continuidade dependa exclusivamente da decisão do governo em exercício.

Atualmente, o Conselhão funciona com base em decreto presidencial. Isso significa que sua existência pode ser revertida por outro ato do Executivo, caso um futuro governo decida extinguir ou reformular a instância. A constitucionalização do órgão, portanto, teria como objetivo assegurar caráter permanente ao espaço de diálogo entre governo e sociedade civil.

Durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, Guimarães defendeu que o Conselhão deixe de estar sujeito às mudanças de orientação política de cada administração federal. A proposta foi recebida com aplausos pela plenária, composta por mais de 200 conselheiros que representam diferentes setores da sociedade civil.

Foto: Gil Ferreira / ASCOM-SRI

Na reunnião, foram ainda apresentados os resultados dos trabalhos dos conselheiros não apenas no último semestre, mas também um balanço dos trabalhos do colegiado desde a sua reconstituição.

A secretaria-executiva do Conselhão, Raimunda Monteiro, destacou a efetividade dos debates promovidos no âmbito do colegiado.

Foto: Gil Ferreira / ASCOM-SRI

“Este sétimo pleno conta com cerca de 200 conselheiros e conselheiras, o que demonstra a credibilidade e a efetividade deste espaço de diálogo que o senhor Presidente definiu. As organizações da sociedade civil que compõem o colegiado representam centenas de milhares de entidades locais, fóruns, confederações, movimentos e ativismos que retratam muito da sociedade organizada no Brasil atual. Nas centenas de reuniões de trabalho ao longo desses três anos e meio, temos sediado os debates e articulações para a superação das desigualdades persistentes em nosso país”, pontuou.

Ainda foram apresentados resultados concretos que se tornaram políticas públicas geradas a partir de debates no âmbito do Conselhão. Destaque para o Manual Mulher Protegida, o Empregacoop, o Mapa do Caminho para a COP 30 e a incorporação do Selo Unicef para o Glossário às Avessas.

Em sua fala, a primeira-dama Janja lembrou que o Pacto Contra o Feminicídio completou quatro meses na última semana, destacando avanços como a diminuição do tempo para o cumprimento das medidas protetivas de urgência e a responsabilização dos agressores.

Mapa do Caminho

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, no Palácio Itamaraty, em Brasília – DF. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Eliminar subsídios aos combustíveis fósseis e adotar umimposto seletivo estão entre as recomendações do Grupo de Conselheiros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDESS) para o mapa do caminho global em fase de elaboração pela Presidência da COP30. 
O documento foi construído a partir de recomendações feitas por conselheiros e compilado pelas Comissões de Assuntos Econômicos e de Meio Ambiente do Senado. A entrega ao presidente Lula (PT) ocorreu durante a 7ª reunião do chamado “Conselhão”.

As recomendações são para o mapa global, iniciativa diferente da encomendada por Lula aos seus ministros em dezembro do ano passado e ainda sem notícias sobre o andamento e a primeira recomendação da lista entregue hoje mira os combustíveis fósseis. 
“Subsídios explícitos e implícitos aos combustíveis fósseis, somados às receitas de royalties, criam dependência fiscal, distorcem preços e retardam a descarbonização”, aponta. 

O relatório cita as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que US$ 7 trilhões são gastos em apoio às indústrias de petróleo gás e carvão globalmente, enquanto no Brasil o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) calcula que R$ 47 bilhões em benefícios fiscais foram destinados a fósseis em 2024. 

Para mudar esse quadro, o Conselhão recomenda o estabelecimento de um “cronograma de eliminação de subsídios diretos e indiretos, começando pelos incentivos fiscais regressivos (isenções tributárias e renúncias)”. Ao mesmo tempo, esses recursos economizados devem ser redirecionados para novas energias e políticas sociais compensatórias.
“A reforma de subsídios enfrenta resistência de grupos econômicos e políticos ligados aos combustíveis fósseis; por isso, sua implementação deve ser gradual e acompanhada de políticas de compensação”, reconhece. 
“A eliminação de subsídios também deve estar integrada a uma estratégia de arrecadação com energia limpa para evitar queda brusca de receitas públicas e financiar direitos sociais”, completa. 

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