Data centers globais enfrentam riscos climáticos


Os data centers, ou centro de dados, — a infraestrutura crítica que sustenta sistemas bancários, armazenamento em nuvem, serviços de emergência, comunicações e logística — em operação ou em construção em diferentes partes do mundo, incluindo Brasil e América Latina, estão expostos a riscos físicos crescentes associados a eventos climáticos extremos, segundo o Relatório Global XDI 2025 sobre Risco Climático Físico e Adaptação em Centros de Dados, divulgado nesta quarta-feira pela Cross Dependency Initiative (XDI), especializada em análise de risco climático.
O “Relatório global XDI 2025 sobre risco climático físico e adaptação em centros de dados” oferece o panorama mais abrangente já produzido sobre como eventos climáticos extremos ameaçam a espinha dorsal da economia digital. O estudo analisou quase 9 mil centros de dados em operação ou planejados, classificando os principais polos globais de acordo com o nível de exposição a oito tipos de riscos, entre eles inundações, ciclones tropicais, incêndios florestais e alagamentos costeiros. A projeção vai até 2050, com diferentes cenários climáticos.

acesse o relatório aqui.

Na América Latina, o mercado de centros de dados deve passar de US$ 5–6 bilhões em 2023 para US$ 8–10 bilhões até 2029. Brasil, México e Chile concentram a maior parte do setor na região, enquanto Colômbia, Peru, Costa Rica e Panamá aparecem como mercados em expansão. As empresas mais presentes incluem Scala, Equinix, Cirion, Ascenty, Kio e Odata.

A XDI inclui no ranking global dois hubs latino-americanos: Santiago, no Chile, na 15ª posição, com 49 centros de dados analisados – 16,33% estão projetados para estar em alto risco até 2050, principalmente por inundações fluviais; São Paulo, no Brasil, na 23ª posição, com 73 centros de dados analisados – segundo o relatório, 10,96% dos centros na capital paulista têm projeção de alto risco até 2050, também por inundações fluviais. Buenos Aires, que não aparece no ranking global da XDI, tem 19% de seus centros de dados classificados como de alto risco. Rio de Janeiro, Querétaro (México) e Bogotá (Colômbia) reúnem entre 15 e 20 centros de dados cada, dos quais cerca de 15% estão projetados para estar em alto risco até 2050.

“Centros de dados são o motor silencioso da economia global. Mas à medida que eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes e severos, as estruturas físicas que sustentam o nosso mundo digital estão cada vez mais vulneráveis,” afirma o Dr. Karl Mallon, fundador da XDI.

Segundo o relatório, a maioria dos centros de dados na América Latina está concentrada em grandes cidades, mas há tendência de interiorização dos investimentos. No México, por exemplo, a cidade de Querétaro concentra a maior parte dos projetos, em vez da Cidade do México. A expectativa é de surgimento de novos polos em regiões remotas, o que deve ampliar a demanda por infraestrutura de água e energia.
O relatório da XDI indica que polos de centros de dados em New Jersey, Hamburgo, Xangai, Tóquio, Hong Kong, Moscou, Bangkok e Hovestaden estão entre os 20 com maior risco climático até 2050, com projeção de que entre 20% e 64% dos centros nessas localidades estarão sob alto risco de danos físicos associados a riscos climáticos. A região Ásia-Pacífico é destacada como a de crescimento mais acelerado em centros de dados, mas também uma das mais expostas: mais de 1 em cada 10 centros já está em alto risco em 2025, passando para mais de 1 em cada 8 até 2050.

Impactos na economia, adaptação e descarbonização

Os custos de seguro para centros de dados podem triplicar ou quadruplicar globalmente até 2050, caso não haja medidas de mitigação e adaptação, segundo o levantamento. A XDI calcula que investimentos direcionados em resiliência poderiam economizar bilhões de dólares em danos todos os anos. “Sem investimentos ambiciosos e contínuos na redução de emissões para limitar a gravidade da mudança climática, nenhum nível de reforço estrutural protegerá plenamente esses ativos críticos”, afirma o texto.

A organização afirma que o risco climático varia muito de acordo com a localização, mesmo dentro de um mesmo país, o que exige análises detalhadas para orientar decisões de investimento em novos centros de dados ou na adaptação de instalações existentes.

Pela primeira vez, o relatório quantifica como adaptações estruturais específicas — mudanças no projeto e na construção física dos centros de dados — podem reduzir riscos e conter custos de seguro. A XDI reforça, no entanto, que a adaptação física precisa estar acompanhada de esforços de descarbonização para limitar o agravamento das mudanças climáticas e proteger a economia digital no longo prazo. A adaptação é essencial, mas mesmo o centro de dados mais resiliente só será tão seguro quanto a infraestrutura da qual depende — estradas, abastecimento de água e redes de comunicação — que também estão vulneráveis a riscos climáticos. 

“Quando tanta coisa depende dessa infraestrutura crítica — e com o setor crescendo exponencialmente — operadores, investidores e governos não podem se dar ao luxo de agir às cegas. Nossa análise ajuda a enxergar o panorama global, identificar onde os investimentos em resiliência são mais necessários e traçar caminhos para reduzir riscos,” disse Mallon.

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