O Ministério do Clima, Energia e Serviços Públicos da Dinamarca anunciou que já existe um plano para investigar o “potencial e os riscos” das novas tecnologias nucleares – incluindo os pequenos reatores modulares – e para o levantamento da moratória sobre a energia nuclear.
Em 1985, o parlamento dinamarquês aprovou uma resolução proibindo a construção de usinas nucleares no país. No entanto, em votação parlamentar realizada em maio de 2025, dois terços dos deputados dinamarqueses apoiaram a abertura de um inquérito sobre a possibilidade de utilização da energia nuclear para reforçar a segurança energética do país. A análise visa permitir que um debate subsequente sobre a possível revogação da proibição da energia nuclear ocorra de forma bem fundamentada.
“Embora o governo não considere a energia nuclear convencional relevante na Dinamarca, tem havido um interesse crescente em novas tecnologias de energia nuclear, como os pequenos reatores modulares (SMRs), tanto na Dinamarca quanto na UE nos últimos anos. Isso deve ser visto, entre outros fatores, à luz do desenvolvimento contínuo de soluções de SMRs, do foco crescente em garantir o equilíbrio em um sistema energético livre de combustíveis fósseis, com vistas a uma maior ênfase na independência energética europeia, preços de energia estáveis e baixos, fornecimento estável de eletricidade e maior interesse comercial”, observou o ministério.
A análise visa apurar os seguintes aspetos: se os SMRs (Reatores Modulares Pequenos) poderiam ser incluídos no sistema energético dinamarquês, incluindo em relação aos custos e benefícios económicos; a necessidade de nova regulamentação nacional, estrutura de autoridades e competências relevantes para o possível estabelecimento de centrais nucleares na Dinamarca, bem como um plano de trabalho específico sobre como e em que sequência as necessidades identificadas podem ser tratadas para constituir uma base suficiente para o estabelecimento de tais centrais, e quais as decisões que devem ser tomadas caso seja politicamente desejável levantar a proibição; e os interesses comerciais e o potencial para o desenvolvimento e fornecimento de componentes para SMRs, bem como para grandes empresas comerciais na Dinamarca como potenciais compradores de eletricidade e/ou calor provenientes de SMRs.

“A análise, por si só, não resulta no lançamento de novas iniciativas com vistas ao estabelecimento de novas tecnologias de energia nuclear na Dinamarca, mas pode servir de base para uma discussão sobre o assunto”, afirmou o ministério.
“A energia verde proveniente do sol e do vento é e continuará sendo a espinha dorsal do fornecimento de energia dinamarquês, mas também podemos ver que ela não pode se sustentar sozinha”, disse o Ministro do Clima, Energia e Serviços Públicos, Lars Aagaard.
A análise deverá ser concluída no segundo trimestre de 2026.

