El Niño pode gerar perdas de R$ 35 bilhões ao setor elétrico brasileiro


Um estudo da TI Safe estima que um episódio de El Niño de intensidade moderada a forte poderá provocar prejuízos da ordem de R$ 35 bilhões aos 25 maiores grupos do setor elétrico brasileiro. Segundo a análise, o principal risco não é um apagão nacional, mas a combinação de eventos climáticos extremos que elevam os custos operacionais aumenta a necessidade de compra de energia, pressionam indicadores regulatórios e antecipam investimentos em infraestrutura resiliente.

O levantamento mostra que os impactos variam conforme a localização dos ativos. Enquanto o Norte e parte do Nordeste tendem a enfrentar estiagens, queimadas e redução das vazões dos rios, o Sul deve registrar chuvas intensas, vendavais e enchentes. Já o Sudeste e o Centro-Oeste podem sofrer com ondas de calor que elevam a demanda por eletricidade e submetem transformadores e redes de distribuição a forte estresse operacional.

Para estimar as perdas, o estudo desenvolveu uma metodologia baseada em três indicadores – Índice de Exposição Climática (IEC), Índice de Sensibilidade Operacional (ISO) e Índice de Intensidade Financeira (IIF) – combinados em um Índice Consolidado de Exposição Econômica (ICEE). O modelo considera cinco vetores de impacto: perda de margem operacional, custos emergenciais de operação e manutenção, compra adicional de energia, antecipação de investimentos em resiliência (CAPEX defensivo) e impactos regulatórios.

No ranking de maior exposição financeira aparecem Axia Energia, Neoenergia, Equatorial, CPFL Energia e Energisa, empresas que combinam ampla presença em distribuição, geração e transmissão, ativos espalhados por diferentes regiões climáticas e grande base de consumidores. Segundo o relatório, essas características ampliam simultaneamente os riscos operacionais, logísticos e regulatórios decorrentes dos eventos extremos associados ao El Niño.

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