Entidades do setor elétrico pedem flexibilização à ANEEL para Pequenas Usinas atingidas pelas enchentes

Foto:Abrapch

O boletim da Aneel, emitido 27 de maio e que contempla todo o sistema de energia, aponta que 107 mil consumidores ainda estão sem luz no estado. Os empreendimentos temem prejuízos à concessão e multas, já que estão com a produção de energia prejudicada por conta dos estragos nos equipamentos.

Por conta das enchentes no Rio Grande do Sul, entidades ligadas à geração de energia elétrica no estado encaminharam uma carta à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) pedindo a flexibilização na fiscalização e aplicação de penalidades às pequenas usinas hidrelétricas locais. A carta – assinada pela Associação Brasileira de PCHs e CGHs (ABRAPCH), Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (ABRAGEL), Federação das Cooperativas de Energia, Telefonia e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul (FECOERGS) e Associação Gaúcha de Fomento às Pequenas Centrais Hidrelétricas (AGPCH) , foi enviada à ANEEL, na última semana.

Conforme explica Alessandra Torres, presidente da ABRAPCH, a carta não contempla somente os associados das entidades signatárias do documento. “A reivindicação é setorial, para todas as pequenas usinas e centrais hidrelétricas atingidas pelas enchentes no estado do Rio Grande do Sul”, explica Alessandra.

Ao todo, estima-se que entre 20 e 25 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) tenham sido afetadas pelas cheias dos rios Jacuí, Toropi e sistema Taquari/Antas. O Rio Grande do Sul tem aproximadamente 70 PCHs e CGHs operando e outras 100 em processo de construção e licenciamento.

O presidente da AGPCH, Paulo Sérgio Silva, conta que o levantamento completo de todos os estragos ainda não está pronto porque muitas usinas ainda estão debaixo d ́água e existe dificuldade para chegar até os locais. O relatório final, com o cálculo dos prejuízos, pode levar ainda 15 dias ou mais para ser concluído.

Conforme Paulo, com a inundação completa das casas de máquinas, as enchentes causaram muitos danos eletromecânicos. Canais adutores sofreram danos e a área civil das construções foram danificadas pela força da água. “Algumas barragens transbordaram. No sistema Taquari / Antas, por exemplo, há três usinas seguidas. A última delas no curso do rio Taquari, a PCH 14 de Julho, recebeu um impacto muito forte da enxurrada e um pedaço pequeno da barragem quebrou”, conta. No entanto, as entidades alertam que isso não traz qualquer risco à população, tampouco colaborou para as enchentes, visto que o represamento da 14 de Julho é bem pequeno.

Jorge Ribeiro, diretor da ABRAPCH e especialista em segurança de barragens, está há mais de 15 dias acompanhando a situação das barragens afetadas. Ele estima que, entre estragos menores e maiores, as usinas precisarão de pelo menos 6 a 18 meses para serem reformadas e colocadas em operação.

Conforme o boletim da Aneel, emitido na última segunda-feira (27 de maio) e que contempla todo o sistema de energia, 107 mil consumidores ainda estão sem luz no estado. Uma barragem está em estado de emergência, cinco em estado de atenção e três em alerta. 

Carta aberta à ANEEL e MME

A destruição sem precedentes no Rio Grande do Sul destruiu muitas pontes e estradas e a própria infraestrutura energética do estado. Diante disso, as entidades pedem apoio da Aneel para que o acesso às infraestruturas de geração, distribuição e transmissão de energia sejam restabelecidos de forma emergencial, para que a operação seja normalizada o quanto antes à população.

Também pedem a flexibilização dos prazos nas ações de fiscalização. O pedido é principalmente relacionado ao Relatório de Inspeção Especial (RISE), que deve ser realizado em situações de emergência e em caso de mudança do status da barragem para alerta ou, ainda, em eventos de cheias excepcionais.

As entidades ainda solicitam que nenhuma usina tenha a sua licença de operação suspensa por pelo menos 180 dias. Devido à excepcionalidade da situação de calamidade pública, nem todas estão conseguindo gerar a quantidade mensal de energia exigida nas regulamentações do setor.

As associações sugerem a exclusão do período de indisponibilidade, utilizado tanto na análise do desempenho da usina (aferição de qualidade do serviço de geração), quanto no cálculo da geração média de cada unidade. O cálculo determina quanto cada usina pode garantir de produção de energia e, consequentemente, com quanto ela pode colaborar com o Mecanismo de Realocação de Energia (MRE), um sistema que equilibra a produção entre todas as usinas e garante um fornecimento suficiente para todo o sistema.

O período de indisponibilidade é quando a usina fica parada de forma programada para manutenção, forçada por situações imprevistas ou porque está aguardando vistoria para que consiga a concessão ou renovação dela. Apesar da paralisação, o período conta nas análises e cálculos mencionados acima.

A Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura (SEMA-RS) e a Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (FEPAM), do Rio Grande do Sul, já atenderam aos pedidos das entidades, suspendendo prazos de recursos administrativos e complementações de documentação para licenciamentos das usinas, bem como dispensa extraordinária do licenciamento estadual para reconstrução das unidades afetadas pelas inundações. Da mesma forma, o IBAMA também suspendeu prazos processuais referentes a infrações ambientais e outros procedimentos de forma geral que tramitam no órgão e sejam originados no Rio Grande do Sul.

Últimas Notícias

SKF lança plataforma de compartilhamento de patentes sustentáveis para uso gratuito

A SKF lançou uma plataforma aberta com patentes selecionadas e disponíveis gratuitamente para outras empresas. A The Patent Bay projeto visa acelerar tecnologias com...

NVIDIA vence competição de Inteligência Artificial Geral

Pesquisadores da NVIDIA venceram uma importante competição do Kaggle, considerada por muitos na área como um indicador em tempo real do progresso da humanidade...

Boeing conclui aquisição da Spirit

“Este é um momento crucial na história da Boeing e seu futuro sucesso, à medida que começamos a integrar as operações comerciais e de...