Ericsson reduz a participação da Nokia na rede VMO2


A Virgin Media O2 (VMO2) avançou de forma decisiva em seu Plano de Transformação Móvel ao firmar acordos plurianuais com Ericsson e Nokia para a modernização de sua rede de acesso por rádio (RAN) em todo o Reino Unido. Os contratos, estimados em centenas de milhões de libras, sustentam um ciclo intensivo de atualização tecnológica com foco em 5G+ e evolução para 5G-Advanced.

A iniciativa contempla a atualização de milhares de sites com rádios multibanda e novas plataformas de banda base, ampliando capacidade, cobertura e confiabilidade. Do ponto de vista técnico, a estratégia combina densificação de rede em áreas de alta demanda com otimização espectral — especialmente relevante diante da incorporação recente de frequências — e uso extensivo de software orientado por IA para ajustes dinâmicos de performance.

O investimento integra um aporte adicional de £700 milhões previsto para este ano, com impacto direto na capacidade instalada: após adicionar cerca de 1 Tbps à rede no último ciclo, a operadora projeta mais que dobrar esse incremento, sinalizando uma mudança estrutural na escala de throughput disponível no mercado britânico.

Impacto sistêmico no ecossistema telecom do Reino Unido

A modernização da RAN da Virgin Media O2 transcende o ganho incremental de desempenho e tende a gerar efeitos relevantes em todo o sistema telecom do Reino Unido:

  • Pressão competitiva e aceleração de CAPEX: a elevação de capacidade e qualidade de serviço impõe resposta imediata de concorrentes como BT Group e Vodafone UK, potencialmente antecipando ciclos de investimento e intensificando a corrida por diferenciação em 5G avançado.
  • Eficiência energética e OPEX: a adoção de rádios multibanda e hardware mais eficiente reduz consumo energético por bit trafegado, alinhando-se às metas de descarbonização do setor e pressionando benchmarks operacionais de toda a indústria.
  • Evolução para redes programáveis: o uso de IA para otimização em tempo real e a habilitação de recursos como network slicing consolidam a transição para redes mais definidas por software, abrindo espaço para modelos de monetização baseados em QoS diferenciada e serviços verticais.
  • Integração com infraestrutura crítica: a priorização de cobertura em hubs de transporte, rodovias e ferrovias reforça o papel da conectividade móvel como infraestrutura essencial, com implicações diretas para mobilidade inteligente, logística e serviços públicos digitais.
  • Efeito na cadeia de suprimentos: o reforço das parcerias com Ericsson e Nokia consolida a presença de fornecedores europeus no core da infraestrutura britânica, em um contexto geopolítico de reconfiguração de vendors e requisitos de segurança de rede.

Arquitetura tecnológica e roadmap

A evolução para 5G+ inclui não apenas ganhos de throughput, mas também latência reduzida e maior densidade de conexões por célula — requisitos fundamentais para casos de uso industriais e urbanos avançados. A introdução progressiva de funcionalidades de fatiamento de rede (network slicing) prepara a infraestrutura para suportar aplicações críticas com SLAs específicos, antecipando o paradigma do 5G-Advanced.

Além disso, a modernização da RAN deve melhorar de forma indireta o desempenho do 4G, via refarming de espectro e maior eficiência de coordenação entre camadas, beneficiando a base instalada durante a transição tecnológica.

Execução e abrangência

As obras já estão em curso em áreas urbanas, suburbanas e rurais, com foco em locais de alta densidade de tráfego, como centros urbanos, estádios e corredores logísticos. Essa abordagem híbrida — combinando densificação urbana com expansão de cobertura — busca equilibrar experiência do usuário e capilaridade de rede.

Segundo Jeanie York, a iniciativa representa uma “mudança estrutural no desempenho da rede”, e destaca o aprofundamento das parcerias e a preparação para demandas futuras de conectividade.

Leitura estratégica

O movimento da Virgin Media O2 indica que o mercado britânico entra em uma nova fase de maturidade do 5G, caracterizada não apenas por cobertura, mas por qualidade, eficiência e capacidade de monetização avançada. A modernização da RAN passa a ser um vetor central de competitividade — e não mais um diferencial —, redefinindo o baseline tecnológico para operadoras no Reino Unido.

Últimas Notícias

Serviço Geológico do Brasil e a Women in Mining Brasil se unem para fortalecer a participação das mulheres

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Women in Mining Brasil (WIM Brasil) assinaram, nesta terça-feira (05/05), um Acordo de Cooperação Técnica (ACT)...

Congresso de bioinsumos debate sustentabilidade e regulamentação do setor

A CropLife Brasil participou do congresso setorial BioSummit 2026, em Campinas-SP, que teve como tema “Bioinsumos e Agricultura Regenerativa: Cultivando o Futuro Sustentável”. No...

OTC 2026 em busca do offshore autônomo

A Offshore Technology Conference 2026 (OTC 2026) consolidou uma das mudanças mais relevantes da indústria global de energia offshore desde o ciclo de expansão...