Estaleiros brasileiros e chineses assinam documento para desenvolver parcerias


Estaleiros brasileiros e chineses assinam memorandos de entendimento para desenvolver parcerias tecnológicas e comerciais, no Fórum Estratégico para a Indústria Naval Brasil-China, no Rio de Janeiro. O evento é um desdobramento da visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China em maio. Petrobras e Transpetro participam do evento para apresentar as demandas por novas embarcações e plataformas no próximo quinquênio, evidenciando o cenário de demanda perene para a indústria naval.

Os memorandos de entendimento serão assinados entre os principais estaleiros chineses (COOEC, CSSC, Cosco e CIMC) e os maiores estaleiros nacionais (EBR, Rio Grande, Mauá e Enseada). Desde segunda-feira (30), representantes desses grupos da China estão no Brasil e visitaram as plantas industriais das companhias brasileiras e alinharam interesses mútuos para possíveis parcerias futuras.

O Fórum Estratégico para a Indústria Naval Brasil-China contará com a presença do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, da diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Renata Baruzzi, e do presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, e outros secretários dos ministérios de Portos e Aeroportos, Desenvolvimento, Indústria e Comércio e da Casa Civil.

Durante o Fórum, serão apresentadas a política de conteúdo local, o Pacote de Incentivos aos Investimentos na Indústria Nacional (PDIC) e o funcionamento do Fundo de Marinha Mercante (FMM).

A assinatura dos acordos de parceria entre os estaleiros chineses e brasileiros ocorre no momento que a Petrobras e a Transpetro retomam os investimentos no segmento naval e offshore, apoiadas pelo Programa de Renovação e Ampliação da Frota do Sistema Petrobras.

Para o presidente da Transpetro, Sergio Bacci, a assinatura dos documentos entre os estaleiros dos dois países evidencia o novo momento da indústria naval brasileira, que está retomando suas atividades e pode trabalhar com um horizonte de demandas perenes.

“O Programa de Renovação e Ampliação da Frota do Sistema Petrobras assegura ao setor um planejamento de médio e longo prazo, o que vai alavancar a retomada. E a possibilidade de realizar parcerias com os estaleiros chineses, que estão entre os mais desenvolvidos do mundo, permite que a indústria naval brasileira acesse novas tecnologias e, possivelmente, até mesmo novas encomendas, que podem ser compartilhadas com os chineses”, avalia Bacci, que acompanhou parte das reuniões entre os estaleiros durante a semana.

“Esse diálogo também se insere no novo contexto global em que os Estados Unidos estão priorizando a sua indústria local e abrindo espaços para novas parcerias comerciais estratégicas entre outros países, como a China e o Brasil”, acrescenta Bacci.

A diretora da Petrobras Renata Baruzzi afirma ainda que é estratégico para o Sistema Petrobras que a indústria naval brasileira retome sua capacidade produtiva e que possa ampliar as parcerias com o restante do mundo.

“Para nós do Sistema Petrobras, que somos os maiores demandantes dos estaleiros brasileiros e um dos maiores contratantes da indústria naval e offshore mundial, ter um mercado fornecedor nacional fortalecido é fundamental para a implementação eficaz dos nossos projetos. Além disso, apoiar o desenvolvimento de parcerias para a indústria nacional é um dos objetivos de negócio da Petrobras. Sem dúvida, o Brasil sai ganhando com esse diálogo entre os estaleiros dos dois países”, explica Renata.

Programa de Renovação e Ampliação da Frota

Lançado em junho do ano passado, o Programa de Renovação e Ampliação da Frota do Sistema Petrobras já tem programada a contratação de 52 novas embarcações. A iniciativa da Petrobras e da Transpetro vai gerar, nessa etapa, investimentos de até R$ 29 bilhões, com a geração de 50 mil novos postos de trabalho.

A iniciativa visa reduzir a exposição da Petrobras aos afretamentos e dar maior flexibilidade e eficiência para as operações logísticas de movimentação de cargas. O programa prevê a aquisição de navios para cabotagem na costa brasileira, contemplando embarcações da classe handy, gaseiros e de médio porte (MR1), que integrarão a frota da Transpetro, além de barcos de apoio para a Petrobras.

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