FDI e APL ganharam relevância com a implementação do Cyber Resilience Act (CRA) da União Europeia: o regulamento estabelece requisitos de cibersegurança para produtos com elementos digitais, abrangendo desde projeto e desenvolvimento até tratamento de vulnerabilidades durante o ciclo de vida. As obrigações de comunicação de vulnerabilidades ativamente exploradas e incidentes graves já estão em vigor desde 11 de setembro de 2026, enquanto a aplicação integral do CRA começa em 11 de dezembro de 2027. Nesse contexto, tecnologias de automação que estruturam a integração, a comunicação e o gerenciamento de dispositivos podem contribuir para criar uma base mais consistente para demonstrar os controles exigidos pelo regulamento.
A FDI (Field Device Integration) aparece nesse cenário como uma camada de integração padronizada entre dispositivos de campo e sistemas hospedeiros, como DCS, ferramentas de engenharia, manutenção e gestão de ativos. A atualização da especificação FDI prevista pelo FieldComm Group para o final de 2026 incorpora explicitamente requisitos relacionados ao CRA e busca unificar FDI e FDT, além de incorporar recursos como PA-DIM, HTML5 e comunicação aninhada. A organização também descreve recursos de segurança da FDI, incluindo pacotes de dispositivos assinados digitalmente, validação de certificados, repositórios confiáveis, ambientes isolados para plug-ins e comunicação segura baseada em OPC UA. O objetivo é permitir que identidade, integridade do software, configuração e gerenciamento do dispositivo sejam tratados de forma mais consistente ao longo do ciclo de vida.
O Ethernet-APL complementa essa arquitetura no nível de comunicação de campo. Baseado em 10BASE-T1L, oferece Ethernet de 10 Mbit/s em dois fios, alimentação e comunicação pelo mesmo meio e possibilidade de conexão de instrumentos em áreas classificadas por meio de perfis intrinsecamente seguros. Isso amplia a quantidade de dados disponíveis no nível de campo e facilita a integração dos instrumentos a arquiteturas digitais de automação. Entretanto, é importante fazer uma distinção técnica: Ethernet-APL, por si só, não significa conformidade com o CRA nem fornece automaticamente autenticação, criptografia ou gestão de vulnerabilidades. Ele é uma camada física e de conectividade sobre a qual podem ser implementados protocolos e mecanismos de segurança. O próprio FieldComm Group relaciona Ethernet-APL, FDI e PA-DIM à construção de uma arquitetura aberta de automação, enquanto suas especificações definem interoperabilidade e características da conexão Ethernet no campo. A combinação é, portanto, mais interessante como arquitetura de ciber-resiliência do que como uma “certificação CRA”: Ethernet-APL fornece conectividade Ethernet diretamente ao campo; FDI organiza a identidade, integração, configuração e gerenciamento dos dispositivos; e mecanismos como OPC UA seguro, certificados, controle de acesso, segmentação de rede e práticas alinhadas à IEC 62443 completam a proteção. O CRA exige que o fabricante faça avaliação dos riscos de cibersegurança, trate vulnerabilidades durante o período de suporte e forneça informações para instalação, operação, atualização e descomissionamento seguro. Assim, FDI pode ajudar a estruturar parte da evidência e do gerenciamento do ciclo de vida, enquanto Ethernet-APL fornece a infraestrutura digital necessária para levar dados e serviços até o instrumento. Nenhuma dessas tecnologias, isoladamente, garante conformidade com o CRA; a conformidade é uma propriedade do produto e dos processos do fabricante.

