A manutenção da bandeira tarifária amarela em setembro evita, no curto prazo, uma pressão maior sobre os custos de energia da indústria e dos consumidores, mas o avanço do período seco no Sudeste mantém o setor produtivo em alerta. A avaliação é da FIEMG Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, após a decisão anunciada pela Aneel Agência Nacional de Energia Elétrica.
Com a bandeira amarela, permanece a cobrança adicional de R$ 1,88 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos, que o deixa, em média, a conta 2% mais cara em relação à cobrança na bandeira verde. Por outro lado, a posição da Aneel evita o acionamento dos patamares mais severos da bandeira vermelha. Na avaliação da FIEMG, os níveis elevados dos reservatórios das regiões Sul e Norte, atualmente acima de 90%, contribuem para reduzir a pressão sobre o custo de geração de energia. A situação, porém, é diferente no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, principal área de armazenamento do Sistema Interligado Nacional, que atravessa o período mais crítico da estiagem com reservatórios próximos de 60% da capacidade.

Segundo o coordenador de Mercado de Energia da FIEMG, Sérgio Pataca, a continuidade da cobrança traz um fôlego temporário, mas o momento exige cautela. “A manutenção da bandeira amarela significa um alívio para o consumidor e evita o custo adicional da bandeira vermelha em um momento desafiador para a indústria. N o entanto, estamos no ponto mais crítico da estiagem no Sudeste. Agora, o foco se volta para o início da primavera e a transição para o período chuvoso. Se as chuvas de outubro e novembro atrasarem, a pressão sobre as tarifas pode voltar a se intensificar no último trimestre do ano”, observa.
Por fim, diante do quadro de incertezas climáticas e operacionais, a FIEMG reforça a urgência do avanço de reformas estruturais no setor elétrico brasileiro, no fomento à eficiência energética e na implementação de políticas que garantam a segurança do suprimento e a previsibilidade tarifária para a indústria e para a sociedade.

