IA começa a ganhar espaço na adaptação das empresas à nova NR-01


Dados da Previdência Social indicam que somente em 2025, foram registrados mais de 500 mil afastamentos por transtornos mentais. Essa realidade tornou-se um impulsionador para a atualização da Norma Regulamentadora 01, a NR-01, que estabelece disposições gerais de segurança e saúde no trabalho. Entre as mudanças, a principal e talvez que traga mais desafios às empresas diz respeito aos chamados riscos psicossociais, ou seja, aqueles que estão ligados à forma como o trabalho se organiza e de que forma isso afeta a saúde mental do trabalhador.

“É um risco bem mais difícil de se medir. Quando falamos de ergonomia, estamos falando de postura, execução e outros riscos ocupacionais que são mais explícitos, um pouco mais fáceis de serem mensurados. Metas abusivas, jornadas exaustivas, assédios, pressão, conflitos interpessoais, falta de autonomia são alguns dos riscos psicossociais que agora passam a estar na mira do Ministério do Trabalho”, explica o ergonomista Alison Alfred Klein.

Nesse cenário, a tecnologia passa a ser uma aliada, e ferramentas baseadas em metodologias científicas começam a ganhar espaço ao permitir uma avaliação mais objetiva desses riscos. “Hoje, algumas plataformas que utilizam a IA como fator de operacionalização, oferecem instrumentos para mensurar carga mental, estresse ocupacional e outros fatores que impactam diretamente a saúde dos trabalhadores”, explica o ergonomista, que é um dos fundadores da Kinebot.

Saúde mental baseada em dados

A ferramenta citada pelo ergonomista, Kinemind, é uma plataforma desenvolvida pela Kinebot para apoiar empresas na identificação de riscos psicossociais ligados ao trabalho. Na prática, os trabalhadores respondem questionários digitais estruturados sobre fatores como carga mental, pressão, autonomia, relações interpessoais e condições de trabalho.

As respostas são analisadas com apoio de inteligência artificial e metodologias reconhecidas internacionalmente, como NASA-TLX e HSE-IT, utilizadas para avaliar esforço mental, estresse ocupacional e fatores psicossociais. A partir disso, a plataforma gera indicadores, dashboards e relatórios que ajudam empresas a montar um plano e identificar setores mais vulneráveis para direcionar ações preventivas.

“Hoje, as empresas precisam transformar saúde mental em um tema mensurável. A tecnologia ajuda justamente nesse processo, trazendo mais objetividade para decisões relacionadas à saúde e segurança do trabalhador”, afirma Klein.

Segundo o ergonomista, a proposta não é substituir análises humanas, mas oferecer mais escala e precisão para o monitoramento organizacional. “A NR-01 exige que as empresas passem a olhar para esses fatores de forma estruturada. O desafio é justamente transformar percepções subjetivas em informações que apoiem decisões práticas”, completa.

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