Índice de talentos do setor de energias


Segundo o Índice Global de Talentos em Energia (GETI) 2026, a indústria global de petróleo e gás enfrenta um conjunto crescente de desafios estruturais relacionados à força de trabalho. O envelhecimento acelerado dos profissionais, a queda da mobilidade internacional e a adoção ainda limitada da inteligência artificial vêm restringindo a capacidade do setor de atrair, formar e reter talentos em ritmo compatível com suas demandas operacionais.

A pesquisa anual sobre força de trabalho, produzida pela Airswift com apoio da Energy Jobline, indica que profissionais mais experientes estão se tornando cada vez mais difíceis de substituir, enquanto a entrada de jovens em funções tradicionais de energia continua em declínio. Trabalhadores com 45 anos ou mais já representam 48% da força de trabalho tradicional do setor, ao passo que a participação do grupo entre 25 e 34 anos caiu para 19%, evidenciando uma lacuna geracional crescente. Esse desequilíbrio é agravado pelo fato de que apenas cerca de um terço dos gestores de contratação afirma recrutar ativamente recém-formados com foco na formação de um pipeline de talentos para o futuro.

A mobilidade global da força de trabalho também segue em retração. Em 2026, 75% dos profissionais de petróleo e gás se dizem dispostos a mudar de cidade ou país para trabalhar, abaixo dos 80% em 2025 e dos 89% registrados em 2022. Oriente Médio e Europa aparecem empatados como os destinos mais atrativos, refletindo o volume de investimentos e novos projetos nessas regiões, enquanto a Ásia mantém níveis relativamente estáveis de interesse.

No campo da remuneração, o cenário é misto. Embora 50% dos profissionais e 60% dos gestores de contratação relatem aumentos salariais em 2025, o ritmo de crescimento desacelerou em relação aos anos anteriores. As expectativas também se tornaram mais moderadas: 67% dos profissionais esperam salários mais altos em 2026, contra 71% no levantamento anterior, sinalizando maior cautela tanto do lado das empresas quanto dos trabalhadores.

O GETI 2026 também destaca a expansão gradual — porém desigual — do uso de inteligência artificial em funções tradicionais do setor energético. Cerca de 45% dos profissionais afirmam já utilizar alguma forma de IA em suas atividades, um avanço expressivo em relação a 2024, mas ainda abaixo do observado em outros segmentos industriais. Mesmo com o avanço da automação, os gestores apontam engenharia e operações técnicas como as funções mais difíceis de preencher, reforçando que a escassez está mais ligada à falta de competências críticas do que à substituição tecnológica.

Visão para a América Latina

Embora o relatório trate majoritariamente de tendências globais, os achados do GETI 2026 têm implicações diretas para a América Latina, especialmente para países produtores como Brasil, México, Argentina, Colômbia e Guiana. A região combina uma base relevante de profissionais experientes — muitos formados durante ciclos anteriores de expansão do setor — com dificuldades estruturais para renovação geracional, formação técnica especializada e retenção de talentos.

Na América Latina, a menor mobilidade internacional tende a ter impacto ainda mais sensível, já que parte significativa dos projetos depende de competências altamente especializadas, muitas vezes disputadas globalmente. Além disso, incertezas regulatórias, ciclos de investimento irregulares e limitações em programas contínuos de capacitação reduzem a atratividade do setor para profissionais mais jovens, que frequentemente migram para áreas como tecnologia, energia renovável ou serviços digitais.

Por outro lado, o relatório sugere oportunidades para a região. O avanço, ainda que gradual, da digitalização, da automação e do uso de IA pode permitir ganhos de produtividade e novas estratégias de qualificação local, reduzindo a dependência de expatriados e fortalecendo cadeias regionais de talentos. Iniciativas focadas em requalificação, treinamento técnico avançado e integração entre universidades, operadoras e fornecedores de tecnologia tendem a ser decisivas para que a América Latina mitigue os riscos apontados pelo GETI.

Em síntese, o GETI 2026 conclui que, sem esforços mais consistentes para reter profissionais experientes e atrair novas gerações, as restrições de mão de obra poderão se tornar um fator limitante para a execução de projetos de petróleo e gás nos próximos anos — um alerta particularmente relevante para mercados latino-americanos que buscam ampliar produção, eficiência e competitividade em um cenário energético cada vez mais complexo.

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