O presidente da CNI – Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, disse que o fortalecimento da relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos é fundamental para o setor industrial brasileiro, e a CNI está empenhada em estreitar os laços entre os dois países como forma de buscar benefícios mútuos. De acordo com o dirigente, a importância estratégica dessa relação foi o que motivou a CNI a organizar, pela primeira vez, o Dia da Indústria Brasil-EUA, evento específico do setor que integra a programação da Semana do Brasil em Nova York.
“Reafirmamos aqui o compromisso de trabalhar em favor de um ambiente de negócios que beneficie tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e em busca de soluções e com foco em entregas que reforcem a parceria bilateral e ajudem a construir um futuro mais próspero, inovador e sustentável para os dois países”, disse Ricardo Alban.
O dirigente abriu (11/05), em Nova York, evento promovido pelo Cebeu Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos. O encontro discutiu geopolítica e comércio internacional, prioridades do G20 e do B20 e estratégias para a construção de uma agenda comum na área de investimentos, transformação digital e minerais críticos.
Alban destacou que a CNI tem acompanhado com atenção e preocupação as mudanças ocorridas na política comercial dos EUA, especialmente no último ano. E que, diante do impacto que as medidas tarifárias, o aumento de barreiras comerciais e as incertezas no ambiente de negócios têm provocado em setores relevantes da indústria, é imprescindível haver coordenação e atuação conjunta reforçando o trabalho integrado entre a CNI, a U.S. Chamber of Commerce e a Amcham Brasil.
“Precisamos olhar para a complementaridade entre nossas economias como uma oportunidade concreta para aprofundar as parcerias produtivas, as relações comerciais e a cooperação tecnológica. Devemos nos unir e desempenhar um papel mais agregador para definir prioridades e ampliar o engajamento do setor privado em ações que tragam resultados efetivos”, destacou o presidente.
Alban informou ainda que, como este é um ano de eleições presidenciais no Brasil, a CNI apresentará aos candidatos à Presidência da República um conjunto de recomendações para promover o crescimento econômico e a inclusão social no país. Segundo ele, as propostas destacam a importância da construção de uma agenda de integração com os Estados Unidos, refletindo a prioridade que a CNI atribui às relações entre os dois países a médio e longo prazo.
“Esperamos que os governantes possam dar passos concretos para a adoção de medidas que reflitam os interesses empresariais e permitam uma maior aproximação entre as duas economias”, pontuou o presidente da CNI que de fato divulgou um documento com mais de 30 medidas estratégicas para fortalecer a parceria entre Brasil e Estados Unidos.

AAgenda Estratégica da Indústria Brasileira para os Estados Unidos será levada hoje aos debates entre setores público e privado do Brasil U.S. Industry Day, em Nova York. Para o setor produtivo, é fundamental avançar em uma agenda estruturada de cooperação para fortalecer a relação bilateral, considerada uma das mais relevantes para a economia brasileira.
Segundo a CNI, a complementaridade produtiva, a integração de cadeias de valor e o potencial de cooperação em áreas como energia, transformação digital, saúde, defesa e tecnologias avançadas reforçam a importância do aprofundamento do diálogo econômico bilateral.
As recomendações da indústria foram divididas em nove temas: comércio e acesso a mercado; transformação digital; investimentos e ambiente de negócios; minerais críticos e cadeias produtivas estratégicas; segurança energética e indústria de baixo carbono; complexo econômico-industrial da saúde e inteligência artificial; defesa, aeroespacial e setores de uso tecnológico dual; formação de capital humano em altas tecnologias; e governança e diálogo institucional.
Os destaques da agenda são:
Comércio e acesso a mercado
O setor defende a eliminação de barreiras tarifárias e não tarifárias, além da negociação de acordos setoriais e mecanismos de cooperação regulatória que diminuam custos e aumentem a competitividade das exportações do Brasil. Propõe também modernização aduaneira, digitalização de processos e maior interoperabilidade regulatória para facilitar o comércio entre os países.
Transformação digital
As propostas incluem programas bilaterais de inovação para conectar empresas, universidades e centros de pesquisa, além de projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias emergentes aplicadas à produtividade, descarbonização e inserção do Brasil em cadeias globais de alto valor.
Investimentos e ambiente de negócios
Entre os destaques estão a negociação de um acordo para evitar dupla tributação (ADT) e fortalecer a parceria econômica, o fortalecimento dos mecanismos de proteção a investimentos e a harmonização de regras de propriedade intelectual.
Minerais críticos e cadeias produtivas estratégicas
O objetivo é fomentar investimentos, inovação tecnológica e integração de cadeias produtivas ligadas à exploração, ao processamento e à transformação de minerais essenciais à transição energética, à segurança alimentar e à produção industrial com alto valor agregado.
Segurança energética e indústria de baixo carbono
A CNI quer aprofundar parcerias em hidrogênio de baixa emissão, biocombustíveis e soluções de captura e armazenamento de carbono (CCUS). A proposta inclui coordenação regulatória internacional, fortalecimento da liderança dos dois países no mercado global de biocombustíveis e ampliação do financiamento para projetos de resiliência energética.
Complexo econômico-industrial da saúde e inteligência artificial
A intenção é ampliar a cooperação em pesquisa e produção local de medicamentos, vacinas e insumos farmacêuticos ativos (IFAs), aproximar Anvisa e FDA em questões regulatórias e estimular investimentos em manufatura farmacêutica, biotecnologia e dispositivos médicos.
Defesa, aeroespacial e setores de uso tecnológico dual
O destaque é o fortalecimento da cooperação em tecnologias avançadas e setores de uso dual – civil e militar – como comunicações, biotecnologia, drones, segurança cibernética, sistemas autônomos e materiais avançados. A proposta inclui ampliar parcerias em defesa, desenvolver soluções conjuntas para segurança de fronteiras e aprofundar a cooperação aeroespacial – além de assinar o Acordo de Aquisição de Defesa Recíproca (RDPA).
Formação de capital humano em altas tecnologias
A proposta central é aproximar instituições do Brasil e dos EUA de ensino técnico, tecnológico e universitário para formação de profissionais com foco na indústria avançada. A agenda prevê o intercâmbio de pesquisadores, programas de atração de talentos e criação de centros binacionais em áreas como IA, computação quântica, materiais avançados e biotecnologia.
Governança e diálogo institucional
A CNI que um plano bilateral anual, com metas, indicadores e acompanhamento contínuo do setor público e privado. É importante reativar mecanismos de alto nível para garantir coordenação contínua em temas como defesa, energia, inovação, finanças e economia digital.

