Indústria Química Brasileira – Perspectivas 2024


Embora o ano de 2023 tenha sido um dos mais desafiadores da história do setor, intensificado pelo atual cenário geopolítico, sobretudo pelo elevado surto de produtos importados vindos especialmente de países asiáticos, há de se reconhecer que foi também um período de conquistas. A retomada do Reiq e das tarifas de imposto de importação, frutos dos esforços da Abiquim e parceiros, são, sem dúvida, contribuições relevantes que darão fôlego à indústria química nacional rumo a uma próxima etapa – garantir sua competitividade e, consequentemente, a entrega do trabalho importantíssimo que ela tem executado ao longo dos anos.

Por André Passos Cordeiro
Presidente-executivo da Abiquim

Embora o ano de 2023 tenha sido um dos mais desafiadores da história do setor, intensificado pelo atual cenário geopolítico, sobretudo pelo elevado surto de produtos importados vindos especialmente de países asiáticos, há de se reconhecer que foi também um período de conquistas. A retomada do Reiq e das tarifas de imposto de importação, frutos dos esforços da Abiquim e parceiros, são, sem dúvida, contribuições relevantes que darão fôlego à indústria química nacional rumo a uma próxima etapa – garantir sua competitividade e, consequentemente, a entrega do trabalho importantíssimo que ela tem executado ao longo dos anos.

Estou falando em um trabalho de construção. Como representante de um setor que mostrou sua resiliência e todo o seu potencial em momentos tempestuosos, posso dizer que entramos em 2024 mais fortalecidos e cientes de que estamos no caminho certo. O próximo passo é dar continuidade a uma das nossas principais agendas – reduzir o preço do gás natural, incluindo as matérias primas extraídas dele, como etano, propano e butano, para consumo na indústria química. Além da entidade fazer parte do Grupo de Trabalho Gás para Empregar e Gás para Indústria, já vemos nas falas do Governo Federal nossas preocupações. Seus dirigentes já estão cientes do custo elevado da molécula, considerando escoamento e processamento.

Sim, há muito trabalho a ser feito. Precisamos intensificar o apoio a indústria química com mecanismos de incentivo fiscal à expansão da produção e investimento para nos aproximar do que está sendo feito no mundo, especialmente nos Estados Unidos e na China. Também precisamos defender, com política comercial, a indústria química brasileira – que é mais sustentável e que por conta disso, tem custos mais altos – da concorrência desleal que utiliza matérias primas, energia e processos industriais mais sujos (portanto mais baratos), sobretudo com medidas contra o dumping ambiental. E por fim termos mecanismos de incentivo para a química sustentável – ou seja, a química de óleos vegetais, a química do plástico verde, a química da biomassa, a química da nafta verde, a química da descarbonização e a química da mobilidade verde.

Para além da necessidade urgente da criação de políticas que garantam a sobrevivência e desenvolvimento da indústria química no Brasil, neste ano a Abiquim vai avançar em duas frentes: na química de matérias primas renováveis (alcoolquímica, óleoquímica e outras matéria primas derivadas da biomassa) e na química circular.

É importante destacar que a química brasileira é pioneira na rota alcoolquímica, ou seja, na produção de químicos a partir do etanol, em sincronia com nossa bem desenvolvida indústria sucroenergética. Devido à alcoolquímica, somos o maior produtor mundial de polímeros verdes, mas não nos limitamos a isso: solventes, fertilizantes e uma série de outros produtos são atualmente produzidos a partir do álcool, de modo limpo e sustentável. Temos também muitos investimentos na rota oleoquímica, que, como o nome diz, usa óleos naturais para desenvolvimento de químicos. 

Isto precisa também estar refletido no tratamento que é dispensado pelas diferentes esferas governamentais à química. A indústria química instalada no país precisa ser reconhecida, definitivamente, como um patrimônio nacional e uma ferramenta de promoção do desenvolvimento sustentável brasileiro. Vale enfatizar a enorme gama de fontes de energia renováveis do Brasil, além de termos os menores índices de emissão de gases de efeito estufa.

Dentre nossas pautas, defendemos a transição de uma economia linear para uma que redesenha, recicla, reutiliza e remanufatura, eliminando o descarte inadequado de resíduos, protegendo o meio ambiente. Vamos continuar, portanto, na busca por firmar parcerias público-privada que garantam a competitividade do setor, pois isso gerará benefícios em cadeia, promovendo a soberania da indústria nacional. 

Lembrando que a Abiquim está celebrando 60 anos de existência em 2024, quero ressaltar ainda que nessas seis décadas a entidade aprendeu que dificuldades não significam problemas e sim, oportunidades. Oportunidades para a melhoria contínua; oportunidades para otimizar nosso trabalho e corresponder às expectativas que nos são apresentadas. De modo coerente ao seu histórico de atuação, a Abiquim continuará com voz ativa, dialogando com seus stakeholders e buscando soluções para que a indústria química brasileira faça o que vem fazendo de melhor: ser a indústria das indústrias.

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