Interco começa explorar o mercado de renováveis


Mirando a transição energética, a Interco, inicia a atuação no segmento de combustíveis renováveis. Como entrada no segmento, a empresa começou em 2023 a exportação de mil toneladas de sebo bovino, em parceria com um grande refinador argentino. O produto do abate, de carbono zero, é matéria-prima para a produção de biocombustíveis.  Com relação à exportação de sebo de boi, o processo de envio contou com a rota de transporte via Argentina onde foi carregado a granel em um navio de químicos, chegando a uma refinadora na costa oeste dos Estados Unidos como destino do resíduo. O projeto segue uma tendência do mercado brasileiro, que, segundo o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), foi responsável pela exportação de 125 mil toneladas de sebo bovino entre janeiro e setembro de 2023. Os números indicam uma elevação de 54% em relação ao acumulado de todo o ano de 2022.

A Interco também iniciou um projeto em parceria com a Propeq/Unicamp, uma empresa com mais de 30 anos de experiência no mercado de consultoria em Engenharia Química. A parceria tem como objetivo fornecer expertise para a Interco sobre técnicas de reciclagem de óleo vegetal de cozinha, visando o protagonismo nesse segmento. O projeto está em fase inicial, com o levantamento de materiais, consulta de especialistas e análises preliminares das informações de dados para finalização do estudo de viabilidade.

De acordo com Marcos Paulo Ferraz, diretor de commodities e trading da Interco, a entrada da empresa no setor de renováveis é uma tendência natural, pois a demanda tem crescido ao longo dos anos. “Atualmente, no Brasil, 35% da exportação de sebo bovino é destinada à produção de biodiesel. Em números reais, o montante chega a 1,5 milhão de toneladas ao ano. O cenário é favorável, e queremos contribuir com nossa expertise logística para alavancar os negócios no país”, afirma.

O Brasil, que antes era importador do líquido, há algum tempo assume o papel de exportador, principalmente para os Estados Unidos, que, segundo a Argus Media, importam 80% do total produzido no país e têm investido em programas de incentivo ao carbono zero.

“Dados da ABIOVE, indicam que de janeiro até novembro de 2023, o sebo bovino foi a segunda matéria prima de maior representatividade na matriz de produção do biodiesel no país, representando pouco abaixo de 10% do total, enquanto o óleo de cozinha usado representou tão somente 2%, devido principalmente a dificuldade de estabelecimento de rotas de coleta em um país com as dimensões continentais do Brasil e falta conscientização sobre o tema. Outras estatísticas nacionais apontam para um descarte irregular anual de mais de 700 milhões de litros de óleo de cozinha, que poderiam ser utilizadas na produção de combustíveis, reduzindo também a contaminação hídrica. Neste sentido, a matéria-prima serve para fomentar a descarbonização da economia mundial, assunto de destaque na COP28, em Dubai, no ano passado”, explica Nicholas Taylor, diretor executivo da Interco Trading, que pretende desenvolver, em paralelo, a logística de transporte desses óleos para atender também a crescente demanda do mercado internacional.

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