A segunda edição do MetroAmbiental – Simpósio de Metrologia Aplicada ao Monitoramento Meteorológico – consolidou-se como um evento de referência para as comunidades de meteorologia, hidrologia, metrologia e monitoramento ambiental no País. Realizado nos dias 27 e 28 de maio na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP), com organização da Rede Metrológica do Estado de São Paulo (REMESP), o encontro teve como tema central: “Ciência, Tecnologia e Inovação para a melhoria da confiabilidade dos dados ambientais”.
O evento teve início com uma solenidade que contou com a presença de Jean Albert Bodinaud e Celso Scaranello, presidentes do Conselho e Executivo da REMESP, respectivamente, e de Luiz Henrique de Almeida Silva, diretor de Infraestrutura da Qualidade do Ipem-SP. Neste momento, foi homenageado o professor Márcio Antonio Aparecido Santana, do INPE, um dos idealizadores do simpósio.
A palestra de abertura, “Ciência, tecnologia e inovação para o aprimoramento da confiabilidade dos dados ambientais na EMBRAPA”, foi proferida por Eduardo Antonio Speranza. Em seguida, sob a moderação da professora Nilmara Guimarães (IFRJ), a sessão “Desafios e soluções para a manutenção da rastreabilidade para o monitoramento meteorológico” apresentou as seguintes palestras:
- “Rede Hidrometeorológica Nacional: estado da arte do monitoramento hidrológico e principais desafios quanto à instrumentação“, ministrada por Ricardo Gabriel Bandeira de Almeida, supervisor de hidrologia do SGB (Serviço Geológico do Brasil);
- “Ciência, Tecnologia e Inovação para o aprimoramento da confiabilidade dos dados ambientais no Instituto Nacional de Meteorologia“, apresentada por Carlos Alberto Andrade e Jurgielewicz, diretor do INMET;
- “Ciência, Tecnologia e Inovação para o aprimoramento da confiabilidade dos dados ambientais no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais“, por Márcio Santana, metrologista do INPE.
Na sequência, sob moderação do coronel Marcelo Brederodes Campos (ICEA), ocorreram as palestras:
- “Contribuição da Metrologia Científica do Inmetro para a Meteorologia: estado atual e perspectivas“, com Danielle Assafin, diretora de Metrologia Científica do INMETRO;
- “Desafios e soluções para a manutenção da rastreabilidade metrológica em aeródromos“, por Marcelo Rosin Citrangulo, coordenador de manutenção da NAV Brasil no aeroporto de Guarulhos.
Posteriormente, sob a moderação do professor Francisco Tadeu Degasperi (Fatec-SP), a sessão “Aprimoramento da confiabilidade de dados ambientais aplicada ao gerenciamento de riscos e desastres naturais” contou com:
- “Sistema de monitoramento e alerta com foco na Defesa Civil Alestra“, por Matheus Gonçalves Roncatto, chefe de operações do Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil do Estado de São Paulo;
- “Inovação a serviço da sociedade: a transformação da rede observacional do CEMADEN/MCTI para a gestão de riscos e desastres“, apresentada por André Aparecido de Souza Ivo, tecnologista do CEMADEN.
O dia foi encerrado com a palestra “Pluviômetros eletrônicos sem partes móveis: Desafios nos processos de calibração”, ministrada pelo professor Ronei Miotto, da Universidade Federal do ABC (UFABC), com apoio da empresa Romiotto Instrumentos.
Sob o tema ‘Desafios e soluções metrológicas para o monitoramento ambiental’, o segundo dia do evento seguiu com uma programação diversificada, espelhando as múltiplas aplicações das medições ambientais. A sessão foi dividida em duas partes, sendo a primeira moderada por Priscila Custódio de Matos (Laboratório de Integração e Testes do INPE), que apresentou as palestras:
- “Desafios e soluções para a manutenção da rastreabilidade metrológica nas grandezas temperatura e umidade relativa do ar“, por Bruno Mascarenhas Lozano, pesquisador metrologista da DIMCI do Inmetro;
- “Projeto AmazonFace (Free-Air CO2 Enrichment) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia“, por Leonardo Ramos de Oliveira, coordenador do Laboratório de Instrumentação Micrometeorológica do programa LBA-INPA.
Na sequência, sob a moderação de Roberta Leite (Bluexperts Consultoria & Treinamento), foram apresentadas:
- “Monitoramento inteligente de CO2 com LI-720 Carbon Node“, por Julio César Hollenbach, CEO da Sigma Sensors;
- “Inovação aplicada: melhorando a confiabilidade dos dados ambientais hoje“, por Gustavo Ventura, CTO/Founder da Dualbase.
O evento também contou com a mesa-redonda “Desafios para o ensino de instrumentação e metrologia aplicada no monitoramento meteorológico“, moderada por Celso Scaranello, com a participação dos professores Josué Souza de Gois (Fatec), Yoshiaki Sakagami (Instituto Federal de Santa Catarina) e Márcio Santana (INPE).
Posteriormente, na sessão “Aprimoramento da confiabilidade de dados ambientais aplicada ao gerenciamento de riscos e desastres naturais“, moderada por Carlos Scarton (Sartorius), destacaram-se as apresentações:
- “Padrões de Qualidade utilizados pela Campbell Scientific na fabricação de equipamentos de alto desempenho“, por Andrea Deho, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Campbell Brasil;
- “O sistema de previsão, monitoramento, alerta e alarme da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro“, pelo Tenente-Coronel Alexander Anthony Barrera, diretor do CEMADEN-RJ;
- “Aprimoramento da confiabilidade dos dados no monitoramento hidrometeorológico na EPAGRI“, por José Luiz Rocha Oliveira, supervisor da Epagri/Ciram.
O evento foi encerrado com a sessão “Desafios e soluções para a manutenção da rastreabilidade para o monitoramento meteorológico“, moderada por Scaranello, onde foi apresentada a palestra “Desafios na Implementação do Procedimento de Avaliação de Conformidade de Estação Meteorológica de Superfície utilizada no Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro“, proferida por Leandro de Oliveira Peixoto, chefe da Subdivisão de Coordenação e Controle Técnico do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA).
O simpósio proporcionou um panorama abrangente do setor, destacando os investimentos, os projetos em andamento e as perspectivas futuras, incluindo a evolução do ensino e da formação profissional na área. Foram debatidas também as necessidades do segmento, a infraestrutura existente e as possibilidades de expansão e a inclusão de metadados nos bancos de dados hidrometeorológicos, como por exemplo as características da instrumentação utilizada, possibilitando assim conhecer a “precisão” da medição.
Um ponto central do debate foi o desafio de suprir a demanda da sociedade pela melhoria continua da confiabilidade nas medições de monitoramento ambiental, onde são essenciais em áreas críticas como meteorologia, hidrologia, segurança de voo, agricultura, defesa civil, alertas de desastres naturais, operações offshore e laboratórios de metrologia. O evento reforçou a importância da rastreabilidade das medições, bem como dos requisitos técnicos, recomendações e orientações da metrologia aplicada à instrumentação hidrometeorológica, bases fundamentais para a credibilidade dos dados ambientais.
Para Márcio Santana, tecnologista sênior em Metrologia Ambiental, a metrologia aplicada à instrumentação hidrometeorológica pode ser didaticamente representada por um tetraedro, cuja estrutura se sustenta em quatro vértices fundamentais: o entendimento dos fenômenos a serem monitorados e medidos; a instrumentação adequada; a estatística aplicada ao tratamento dos dados; e, com igual relevância, a padronização dos processos. O equilíbrio entre esses pilares visa garantir o contínuo atendimento às recomendações e requisitos técnicos das áreas meteorológica e metrológica. Santana ressalta ainda que as novas tecnologias impõem desafios inéditos, especialmente na medição e no tratamento estatístico das informações geradas. Nesse contexto, o objetivo primordial da Metrologia é conhecer, avaliar e elevar a confiabilidade das medições ambientais, aproximando o que é calibrado e ensaiado em laboratório da realidade observada em campo.
Complementando as discussões técnicas, uma feira paralela com os principais fornecedores exibiu inovações em instrumentos, equipamentos e serviços para o monitoramento ambiental. Outro grande destaque foi a integração efetiva entre os diferentes elos do monitoramento ambiental — usuários de dados, fabricantes, acadêmicos, técnicos de campo e de laboratório —, criando um ecossistema propício ao desenvolvimento de novas soluções e que o Brasil pode e deve ser protagonista na metrologia aplicada em diversas variáveis hidrometeorológicas, devido suas atividades ligadas ao agronegócio, à sustentabilidade, às energias renováveis e a proteção ao meio ambiente.
O grande legado desta edição foi a convergência, em um mesmo espaço, de especialistas que transformam medições em conhecimento, técnicos que oferecem as melhores soluções metrológicas e gestores comprometidos com a qualidade. Como desdobramento prático, foram pactuadas diversas ações colaborativas entre as instituições e empresas presentes, voltadas a atender, com excelência, às demandas do setor.
O sucesso desta segunda edição assegura a continuidade deste simpósio e já projeta a realização do MetroAmbiental 2027, reafirmando o compromisso com a excelência na disseminação de conhecimento e nos avanços da metrologia aplicada à instrumentação hidrometeorológica no Brasil.
















