Macaé Energy debate campos maduros e anuncia exploração de poços do Pré-Sal na Bacia de Campos em 2025

Fotos: Firjan, Prefeitura de Macaé, Ana Chaffin

Promovido pela Firjan SENAI, Sebrae RJ e Prefeitura de Macaé, o Macaé Energy 2024 mobilizou a indústria nacional de petróleo, gás natural e novas energias em três dias de debates no município do Norte Fluminense. A atividade de recuperação de campos maduros na Bacia de Campos e a produção offshore recebeu atenção no evento. “Esta primeira edição tem o objetivo de impulsionar as discussões e posicionamentos em prol do fortalecimento das atividades de exploração e produção de óleo e gás natural, do qual o Rio de Janeiro é muito forte, além de pautar as novas energias”, afirma a gerente geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan – Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, Karine Fragoso.

Fotos: Firjan, Prefeitura de Macaé, Ana Chaffin

Na abertura do painel sobre produção offshore, a PPSA apresentou um detalhado panorama do mercado offshore no país, com foco nas bacias de Campos e Santos. Conforme a presidente da empresa, Tabita Loureiro, a bacia de Campos acumula recuperação total de mais de 14 bilhões de barris de petróleo, equivalente a quase 60% de todo o óleo recuperado nas bacias brasileiras. Segundo ela, mesmo nessa bacia, como em todas as outras, ainda há muito espaço para aumentar o fator de recuperação.

“Mas, para isso, é preciso que seja intensificada a atividade de perfuração de novos poços, ampliando além das atividades de workover em poços existentes. Atualmente, a indústria investe mais em renováveis do que em exploração, o que é preocupante para a reposição das reservas e produção futura, pois impacta na nossa balança comercial de petróleo e que pode nos tornar importador líquido de petróleo na década de 2030”, alertou Tabita.

Já o secretário de Desenvolvimento de Macaé, Rodrigo Vianna, reforçou a necessidade de sensibilização dos agentes públicos deste mercado na importância de haver celeridade nos processos de melhoria do ambiente de negócios, tanto para a atração de investimentos quanto para a geração da atividade econômica do município produtor, o estado e o país.

De acordo com o diretor de Relações Institucionais da Perenco, Leonardo Caldas, a operação e a manutenção de campos maduros de águas rasas, promovidas pela empresa, realizam bastante contratação local. Segundo ele, 40% dos seus fornecedores estão no município do Norte Fluminense.

Já a PRIO destacou a importância de revisão do arcabouço regulatório, que estimula a recuperação de campos maduros e marginais. “É importante considerar o tie-back como uma solução que suporta a economicidade de projetos de campos menores, viabilizando a contratação de bens serviços e mão de obra, geração de emprego e renda”, afirmou o diretor jurídico da operadora, Emiliano Gomes, que também é presidente do Conselho Empresarial de Petróleo e Gás da Firjan.

Diretor de Operações da 3R Petroleum, Maurício Diniz explicou que possui variados níveis de recuperação nas operações da 3R. “No campo de Frade, por exemplo, temos um fator de 2%, o que explicita o potencial de riqueza que podemos gerar para a sociedade com investimentos para aumentar a produção”, acrescentou.

A BW Energy reforçou que há casos como o campo de Maromba que, mesmo sendo marginal, tem 1,1 bilhão de dólares em investimentos para conseguir iniciar a produção a partir de 2028, mas ainda aguardam a regulamentação da redução de royalties em campos marginais. “Além disso, o pós sal encontra-se aprisionado pelo polígono da partilha, gerando custos maiores na oferta de novas áreas dentro do polígono, com potencial focado no horizonte geológico do pós sal”, afirmou Alex Garcia de Almeida, gerente Regulatório e Institucional da empresa.

A gerente de Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios da Trident, Deise Monteiro, explicitou os esforços para recuperação dos ativos da companhia. Por exemplo, segundo ela, nos últimos 24 meses aproximadamente 10 km de trechos de tubulações no mar foram substituídos nos polos de Enchova e Pampa, investimento de 8 milhões de dólares, gerando demanda por bens e serviços e renda em toda a região do estado do Rio.

Ao final dos painéis, Emiliano Gomes e o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo, Márcio Félix, assinaram o Protocolo de Intenções entre Firjan e ABPIP, visando parceria entre as instituições para o desenvolvimento de projetos relacionados à expansão das atividades de produtores independentes de óleo e gás natural no Rio de Janeiro. “Petróleo e gás natural também são transição energética. Por isso, precisamos focar na diversificação de soluções para descarbonização e expansão da geração de riqueza, proporcionando mais demanda para a indústria local”, acrescentou Karine Fragoso.

O prefeito Welberth Rezende reforçou a sinergia entre o governo, as empresas de energia e as instituições empresariais que ajudam a tornar Macaé polo dos novos projetos ligados à cadeia produtiva de óleo e gás. “Nos orgulhamos muito em ter aqui no município parceiros que ajudam a somar o nosso propósito de tornar Macaé o polo de desenvolvimento econômico do nosso Estado e do nosso país. A nossa cidade se consolida como a base da transição energética nacional, a partir do incentivo à exploração, produção e produção do gás natural, e também do apoio a projetos voltados à geração de energia através de fontes renováveis. Vivemos uma nova era em outros segmentos ligados diretamente à indústria offshore, como o comércio, o turismo e o setor de serviços”, destacou.

Um acordo de cooperação técnica entre a Prefeitura de Macaé e a Firjan também foi assinado no primeiro dia do Macaé Energy, que garantiu a oferta de cursos de qualificação para 2 mil profissionais que irão atender a demanda da indústria de óleo e gás. “Este evento propõe discussões sobre diversas fontes energéticas, com o propósito de promover soluções para a nossa indústria, com foco também no apoio às micro e pequenas empresas que atendem a demanda do mercado. A participação da prefeitura de Macaé é essencial por representar essa cidade que concentra empresas e diversos projetos de inovação, como proposta de criação de nova fronteira tecnológica para o Brasil”, destacou o Presidente em exercício da Firjan, Luís Sérgio Caetano.

O Macaé Energy marcou também o lançamento da publicação inédita da Firjan sobre a transição energética no Rio que destaca o protagonismo de Macaé para suprir a demanda de energia nacional, através do potencial do gás natural.
“O evento reúne as principais empresas e instituições que participam das discussões e viabilizam a nova fase de transição energética do país, através do potencial do gás natural. A inovação, a segurança e a capacitação profissional também são essenciais a essa nova fase do mercado, que concentra em Macaé o seu principal polo de atividades”, apontou o diretor de desenvolvimento do Sebrae/RJ, Sérgio Malta.

“Macaé é uma das cidades mais importantes para o setor petrolífero mundial, e concentra hoje a discussão sobre os principais pontos que mobilizam o mercado global de energia. O Ministério tem o objetivo de apoiar esse processo, estando aberto ao diálogo para a concentração de um novo ambiente de negócios. A matriz energética brasileira é referência no mundo, com metas alcançadas à frente de outras nações petrolíferas. Debatemos também as questões climáticas, a partir do processo de desenvolvimento econômico e da qualidade de vida do nosso povo. Garantir a segurança energética é também pensar soluções de sustentabilidade, objetivo prioritário do nosso trabalho, sem abrir mão do petróleo e do gás”, destacou o coordenador geral de dados e informações de E&P do Ministério de Minas e Energia, Diogo dos Santos Baleeiro.

“O governo tem uma relação muito estreita com Macaé que concentra hoje a principal economia do nosso Estado, o petróleo e o gás. É por isso que possuímos hoje uma secretaria focada em viabilizar projetos e soluções políticas que ajudam a potencializar esse mercado. O petróleo produzido aqui é essencial para o Rio de Janeiro e, por isso, o governador Cláudio Castro enviará na próxima semana a Alerj o projeto de lei que cria o Plano Estadual de Transição Energética. A nossa visão é ampliar o nosso potencial de produção de energia de fontes renováveis, como o novo campo eólico, o incentivo a produção de energia solar e também através do hidrogênio. Estamos aqui como parceiros de Macaé, das empresas e de todas as instituições que desejam contribuir com essa nova fase de desenvolvimento do nosso Estado”, pontuou o Secretário Estadual Interino de Energia e Economia do Mar Felipe Peixoto.

O gerente-geral da Unidade de Negócios da Petrobras na Bacia de Campos (UN-BC), Alex Murteira Celem afirmou que a Petrobras se prepara para explorar, no ano que vem, novos poços do Pré-Sal que poderão ser “o futuro da Bacia de Campos” – além de uma série de investimentos na revitalização dos campos maduros e no descomissionamento de antigas plataformas. O painel  “Perspectivas Regionais” contou com uma mensagem especial, via vídeo, da nova presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que também é vice-presidente do Conselho Empresarial de Petróleo e Gás da Firjan. “A região Norte Fluminense sempre teve uma enorme relevância para o setor de óleo e gás e a nossa cadeia de fornecedores, sediando parte significativa da nossa produção e logística. Tenho certeza de que este evento representa um marco da retomada de Macaé e de toda a região, tornando-se um centro de discussões sobre o nosso setor e consolidando a cidade como um hub de negócios para o mercado”, disse Magda.

O gerente-geral da UN-BC Petrobras, destacou três blocos adquiridos pela companhia na Bacia de Campos, que começarão a ser explorados no primeiro semestre de 2025: Forno, Água Marinha e Norte de Bravo. “Vamos perfurar o primeiro poço exploratório em águas marinhas no Pré-Sal da Bacia de Campos, e temos muita esperança, pelo conhecimento que temos da área, de ser o futuro da bacia”, disse Celem.

Ele também comentou sobre duas novas unidades, que vão chegar à Bacia de Campos, com capacidade de produzir 20% a mais do que se produzia até então, além de reduzir em 55% as emissões de gases do efeito estufa. O Plano de Renovação da Bacia de Campos prevê ainda investimentos para quase dobrar a atual produção de petróleo na região até 2028, além de diversas ações de descomissionamento que vão movimentar US$ 26 bilhões. “É um novo mundo, um novo negócio que se abre, e só está começando. A Bacia de Campos está voltando a ser olhada pelo planeta, a mostrar sua pujança, e se destacando de novo pelo desenvolvimento tecnológico com a revitalização dos campos maduros”, concluiu.

O coordenador da Comissão Municipal da Firjan em Macaé, Gualter Scheles, comemorou os investimentos e reafirmou a importância da companhia no desenvolvimento do município e da região. “Nós queremos esse protagonismo e assumimos esse protagonismo. Precisamos reverberar o que vem sendo discutido aqui neste evento. É uma das principais atividades econômicas do país, e é preciso que tenhamos segurança jurídica para que possamos ajudar cada vez com o desenvolvimento socioeconômico”, destacou.

O painel contou também com as apresentações de Fábio Rodrigues, gerente do Projeto UTE Marlim Azul, da Arke Energia, que falou sobre a nova usina termelétrica prevista pela empresa, usando gás natural do Pré-Sal. Com a concretização da Marlim Azul 2, as duas UTEs devem gerar até 565 MW. Rodrigues destacou que essa nova unidade é diferenciada e mais sustentável, ao passo que faz uso de tecnologia de torres secas implementada, reduzindo o uso de água no processo de geração de energia.

O diretor de Operações da EDF Brasil, Jean-Philippe, participou do painel apresentando a atuação da multinacional em diversos segmentos do mercado de energia. Operando atualmente na região com a UTE Norte Fluminense, a EDF Brasil também possui projeto para implementação da Norte Fluminense 2. Ele também destacou as participações nos novos leilões de capacidade e o recente investimento no segmento de transmissão de energia, visando a transição energética e a integração das novas energias geradas em todo o país. 

A atuação em conjunto com atores para a evolução regulatória no mercado de gás natural, também foi destaque em sua apresentação. Com o possível avanço do Projeto Rota 5 e a previsão de maior oferta de gás natural na região, a EDF destacou a viabilização de novos projetos e continuidade de desenvolvimento do ecossistema de empresas no norte fluminense ligadas ao gás natural, além da contribuição para decisão de investimentos de diversas empresas.

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