O tarifaço de Trump foi iniciado para 94 países no início de agosto e a China ganhou mais 90 dias para continuarem as negociações. Para o Brasil, os canais para iniciar negociações continuam difíceis e o governo lançou um programa voltado em especial para as pequenas e médias empresas. Serão concedidas linhas de crédito de R$ 30 bilhões, aporte para os fundos garantidores de exportações de R$ 4,5 bilhões, diferimento de tributos federais (Reintegra de R$ 5 bilhões, prorrogação de prazos do regime de drawback e compras governamentais). Além disso, o governo continuará empenhado em abrir negociações, procurar mercados, fechar novos acordos comerciais e manter o seu compromisso com o multilateralismo.

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O IBRE/FGV selecionou os 30 principais produtos exportados para os Estados Unidos que explicaram 65,3% da pauta bilateral de janeiro a julho de 2025. Na pauta total das exportações brasileiras, os 30 produtos explicam 7,8% do total das exportações do Brasil. Desses produtos, 18 não tem isenções e, desses, 14 apresentam percentuais que variam de 29,7% a 96,1%, como parcela das vendas para os Estados Unidos nas suas vendas externas totais. Os produtos siderúrgicos já eram esperados, mas itens de máquinas e equipamentos não elétricos chegam a percentuais de 60%.
Considerando o total da pauta dos produtos não isentos, o percentual com dependência de 30% ou mais do mercado dos Estados Unidos representam 13,3% dessa pauta. Esse não é o único critério para avaliar a vulnerabilidade, pois o grau de dificuldade para diversificar mercados varia entre os setores e produtos.
O auxílio como instrumento temporário é bem-vindo. No entanto, é preciso avaliar caso a caso para que os recursos sejam direcionados para aqueles que estarão mais expostos aos efeitos negativos do tarifaço.
A realização de acordos que promovam a abertura de mercados entre os países para isolarem o ímpeto do tarifaço de Trump seria uma diretriz interessante, mas, ao que parece, a estratégia de Trump de privilegiar acordos bilaterais, divide e dificulta a cooperação de negociações de abertura multilaterais.
Na agenda bilateral Brasil-Estados Unidos, questões políticas são inegociáveis. No entanto, pensar diretrizes de aberturas e concessões comerciais que possam atender os interesses da agenda de aumento da produtividade não deve ser descartada. Para isso, é necessário antes que se construa internamente a identificação dos interesses nacionais levando em conta essa perspectiva.

