A revolução da IA é frequentemente descrita em termos de algoritmos, mas, na prática, é uma história de infraestrutura pesada. Embora uma atualização de software possa ser escalonada globalmente em segundos, a infraestrutura física necessária para abrigá-la, especificamente o cobre necessário para energia e refrigeração, está encontrando obstáculos geológicos, políticos e burocráticos.

No início deste ano a urgência atingiu seu ponto mais crítico: um estudo recente da S&P Global destacou que a corrida pela IA, combinada com o aumento dos gastos com defesa, está agravando uma “escassez substancial” no fornecimento global de cobre: enquanto um centro de dados de IA pode ser construído e estar operacional em cerca de 18 a 23 meses, uma nova mina de cobre leva, em média, 17,9 anos para passar da descoberta à produção e esse gap ameaça paralisar o salto tecnológico que deveria apoiar.
De acordo com a Copper Development Association, a fase de licenciamento e aprovação de uma mina nos EUA pode consumir mais de uma década de um ciclo de desenvolvimento de 29 anos; já os data centers estão se movendo na velocidade da inteligência artificial, com mais de US$ 1,5 trilhão em anúncios de investimentos só nos EUA e 6,3 GW de capacidade atualmente em construção na América do Norte.
Detalhe: estamos construindo data centers diferentes. Clusters de IA modernos, como os que utilizam a arquitetura GB200 da NVIDIA, exigem mais de três km de cabeamento de cobre por rack apenas para transmissão de dados. Sem contar o consumo de energia que facilmente ultrapassa 100 MW por instalação e que exige quantidades enormes de barramentos de cobre e unidades de distribuição de energia. Some-se a isso o fato de que o calor gerado pelas GPUs de IA tornou obrigatório os sistemas de resfriamento líquido, que consomem muito cobre. Esse design de data center pode consumir até 50.000 toneladas de cobre, representando um aumento expressivo em relação às 5.000 a 15.000 toneladas necessárias para uma instalação convencional.
Então, os cálculos para 2040 são alarmantes: a S&P Global projeta que a demanda por cobre para data centers crescerá 127% até 2040. Isso, somado à crescente eletrificação da economia global, eleva a demanda mundial total para 42 milhões de toneladas, enquanto a oferta projetada é de 32 milhões de toneladas.
Os dados mostram que o mundo digital está se expandindo em meses, enquanto o mundo da estrutura física é medido em anos, o da mineração, em gerações. Então, o boom da IA pode se ver limitado não pelo código, mas pela disponibilidade de minério.

