A expansão da infraestrutura digital da ByteDance, controladora do TikTok, entrou em uma nova fase em 2026, marcada por investimentos bilionários em centros de dados voltados para inteligência artificial, armazenamento em nuvem e soberania de dados. As obras em andamento abrangem Europa, Sudeste Asiático e, mais recentemente, o Brasil, onde está sendo desenvolvido aquele que poderá se tornar o maior data center do país.

Brasil: megaprojeto no Porto do Pecém
O projeto mais ambicioso em construção na América Latina está localizado no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará. A plataforma Omnia, pertencente ao Pátria Investimentos, está desenvolvendo o empreendimento para a ByteDance, em parceria energética com a Casa dos Ventos.
Em maio de 2026, Omnia e Casa dos Ventos assinaram um contrato de fornecimento de energia renovável de US$ 2 bilhões, com duração de 20 anos, destinado a abastecer o complexo – o investimento total pode atingir R$ 200 bilhões, tornando-se o maior data center em desenvolvimento no Brasil.
Inicialmente, o empreendimento deve consumir cerca de 300 MW, podendo evoluir para até 900 MW ou próximo de 1 GW em fases posteriores, algo como a demanda de uma cidade de médio porte. A escolha do Ceará decorre da disponibilidade de energia eólica, proximidade de cabos submarinos internacionais e capacidade portuária do Pecém.
Finlândia: segunda unidade de € 1 bilhão
O TikTok anunciou em abril de 2026 a construção de seu segundo data center na Finlândia, localizado em Lahti. O investimento é de aproximadamente € 1 bilhão, com capacidade inicial de 50 MW e potencial de expansão para 128 MW.
A iniciativa faz parte do programa Project Clover, orçado em € 12 bilhões, criado para armazenar dados dos mais de 200 milhões de usuários europeus em território europeu e atender às exigências regulatórias da União Europeia.
A escolha da Finlândia está associada ao clima frio, à disponibilidade de energia de baixo carbono e à elevada confiabilidade do sistema elétrico.
Malásia: expansão para inteligência artificial
A ByteDance também está ampliando sua infraestrutura na Malásia, utilizando centros de dados localizados em Johor e planejando clusters de inteligência artificial de grande porte. A empresa pretende operar cerca de 500 sistemas Nvidia Blackwell, totalizando aproximadamente 36 mil GPUs B200 para treinamento de modelos de IA. O investimento associado ao cluster é estimado em US$ 2,5 bilhões.
Parte dessa capacidade é hospedada em instalações construídas pela Bridge Data Centres, que já entregou várias fases do campus MY06 em Johor.
Sudeste Asiático recebe US$ 8,8 bilhões
Além da Malásia, a ByteDance anunciou investimentos de US$ 8,8 bilhões em infraestrutura digital no Sudeste Asiático, especialmente na Tailândia. O movimento acompanha o crescimento exponencial da demanda por computação associada à inteligência artificial e aos serviços de vídeo.
A Tailândia se tornou um dos principais polos regionais para data centers, graças a incentivos governamentais, isenção fiscal e expansão da infraestrutura elétrica.
Estratégia global de soberania de dados
A multiplicação de obras de data centers pela ByteDance responde a três fatores principais: crescimento explosivo das aplicações de IA; necessidade de atender requisitos de soberania e proteção de dados em diferentes mercados; busca por energia renovável e custos operacionais menores.
Enquanto Europa e EUA concentram esforços em conformidade regulatória, a Ásia e a América Latina surgem como regiões estratégicas para grandes instalações computacionais, aproveitando disponibilidade de energia e custos mais competitivos.
Brasil pode se transformar em hub latino-americano
Especialistas avaliam que o projeto do Pecém representa mais do que um investimento isolado da ByteDance. A combinação entre abundância de energia renovável, conexão por cabos submarinos internacionais e potencial de expansão do sistema elétrico pode transformar o Nordeste brasileiro em uma nova fronteira global para data centers voltados à inteligência artificial.
Caso o cronograma seja cumprido, o empreendimento deverá posicionar o Brasil entre os principais polos de infraestrutura digital do Hemisfério Ocidental, em um mercado cuja demanda por capacidade computacional cresce em ritmo acelerado impulsionado pela IA generativa.

