A Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou o relatório “Tendencias del mercado laboral en América Latina y el Caribe”, documento que analisa a evolução recente do emprego na região e identifica os principais desafios para a consolidação de um mercado de trabalho mais produtivo, formal e inclusivo. O estudo conclui que, apesar da manutenção de indicadores relativamente positivos de emprego, o ritmo de geração de vagas perdeu força, enquanto persistem problemas estruturais como elevada informalidade, baixa produtividade e dificuldades para absorver as transformações tecnológicas.
Segundo a OIT, a taxa média de desemprego na América Latina e Caribe recuou para 5,3%, um dos menores níveis observados nas últimas décadas. No entanto, esse resultado não deve ser interpretado como sinal de fortalecimento do mercado de trabalho. O relatório ressalta que a desaceleração econômica regional tem reduzido a capacidade de criação de empregos de qualidade e que parcela significativa das novas ocupações continua concentrada em atividades informais ou de baixa produtividade.

Um dos principais pontos de atenção é a informalidade laboral, que permanece como característica dominante da região. A OIT estima que 47,4% dos trabalhadores ocupados ainda atuam em condições informais, sem acesso pleno à proteção social, previdência ou direitos trabalhistas. Embora o indicador tenha apresentado leve melhora em relação aos anos anteriores, o avanço é considerado insuficiente para alterar de forma significativa a estrutura do mercado de trabalho latino-americano.
O relatório destaca também que o crescimento do emprego vem sendo acompanhado por um aumento mais lento da produtividade. Para a OIT, esse descompasso limita o crescimento econômico e restringe os ganhos salariais, reforçando a necessidade de políticas voltadas à modernização produtiva, ao fortalecimento da educação e ao desenvolvimento de competências compatíveis com as novas demandas tecnológicas.
Outro tema central do estudo é o impacto das transformações tecnológicas sobre o trabalho. A organização observa que a digitalização, a automação e a disseminação da inteligência artificial estão modificando rapidamente os perfis ocupacionais. Embora essas tecnologias ampliem oportunidades de ganhos de eficiência e produtividade, também exigem investimentos contínuos em qualificação profissional para reduzir o risco de ampliação das desigualdades entre trabalhadores com diferentes níveis de escolaridade e competências digitais.
A OIT chama atenção ainda para os efeitos das mudanças demográficas. O envelhecimento da população em diversos países da região reduzirá gradualmente a participação da população em idade ativa, tornando ainda mais importante elevar a produtividade do trabalho e ampliar a participação de grupos historicamente sub-representados, como mulheres e jovens, em empregos formais e de maior qualidade.
Entre as recomendações apresentadas, o relatório defende a adoção de políticas públicas capazes de estimular a formalização do emprego, ampliar os investimentos em educação e capacitação profissional, fortalecer os sistemas de proteção social e incentivar a transformação produtiva baseada em inovação, digitalização e desenvolvimento tecnológico. Segundo a OIT, essas medidas serão essenciais para que os países da América Latina e Caribe consigam enfrentar simultaneamente os desafios impostos pela desaceleração econômica, pelas mudanças demográficas e pela rápida evolução tecnológica.

