Petrobras reiniciou a produção de ureia desde a retomada das operações da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), marcando um avanço decisivo na reativação da subsidiária localizada em Araucária (PR). O início da produção representa uma nova etapa operacional da fábrica, que esteve hibernada desde 2020. A reativação da Ansa contou com investimentos da ordem de R$ 870 milhões e integra o plano da companhia de retorno ao segmento de fertilizantes.
Desde a decisão de retomada das atividades, anunciada em 2024, a fábrica passou por um amplo ciclo de preparação, que incluiu manutenções, inspeções técnicas, testes operacionais, recomposição de equipes e contratação de serviços. O processo gerou mais de 2 mil empregos durante a fase de mobilização, além da manutenção de cerca de 700 postos de trabalho diretos na operação regular da fábrica.
Antes do início da produção de ureia, a Ansa já havia alcançado marcos operacionais relevantes, como a produção, por meio de um contrato de industrialização, de ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo), utilizado no controle de emissões de veículos a diesel, e de amônia.
A retomada está sendo conduzida de forma progressiva, com foco na segurança dos trabalhadores, na confiabilidade dos sistemas industriais e na estabilidade das operações.

De acordo com o Diretor Industrial e Presidente Interino da Ansa, Marcelo dos Santos Faria, o início da produção marca um momento importante para a companhia e para o país. “Estamos retomando uma operação estratégica. A Ansa volta a produzir ureia em um momento em que ampliar a capacidade interna desse insumo é cada vez mais relevante para o Brasil”, afirma.
A retomada da Ansa se soma ao retorno da produção das unidades FAFEN-BA, na Bahia, em janeiro de 2026, e FAFEN-SE, em Sergipe, em dezembro de 2025. Com a comercialização da produção das três fábricas, a participação da Petrobras no mercado interno de ureia deve alcançar aproximadamente 20%.
A Petrobras também avança na conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), com previsão de entrada em operação comercial em 2029, conforme anunciado em 13/4. Com a nova planta, a expectativa é que a companhia passe a atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia nos próximos anos.

Segundo o diretor de Processos Industriais da Petrobras, William França, o avanço representa uma mudança estrutural para o país. “Com as Fafens e, agora, a Ansa em pleno funcionamento, reduzimos a dependência externa de ureia e fortalecemos a cadeia produtiva do agronegócio e da indústria nacional. O setor de fertilizantes é estratégico para a Petrobras, e estamos retomando investimentos com base em estudos de viabilidade técnica e econômica”, afirma.
A FUP – Federação Única dos Petroleiros celebra a retomada da produção de Ureia da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), após seis anos do seu fechamento, em 2020. Desde então, a Federação atua pela reativação da planta, considerada estratégica para o setor de fertilizantes.

Cibele Vieira, coordenadora-geral da FUP, festejou. “É com muita emoção que comemoramos o início da produção da Fafen-PR, maior símbolo de que a luta vale a pena. Mesmo que no imediato não conseguimos impedir o fechamento da fábrica, a resistência possibilitou a retomada”.
“A reabertura operacional ocorreu de forma gradual, com o início de recontratação de trabalhadores em julho de 2024. Desde então, a fábrica passou por extensos processos de manutenção, em função do longo período de paralisação”, pontua Rodrigo Maia, coordenador-geral do Sindicato dos Petroquímicos do Paraná (Sindiquímica). A retomada também sofreu o impacto de um incidente registrado em outubro de 2025, envolvendo um incêndio no compressor de oxigênio, o que contribuiu para o adiamento do início das operações.

A Fafen-PR voltou a produzir amônia em 14 de abril de 2026, com capacidade aproximada de 1.300 toneladas por dia. Já a produção de ureia foi iniciada hoje (30/4), com capacidade instalada de cerca de 2.000 toneladas diárias. Além desses produtos, a unidade também produz dióxido de carbono (CO₂) e metanol. Considerada a maior fábrica de fertilizantes nitrogenados do sistema Petrobrás, a unidade chegou a responder por até 30% do mercado nacional de ureia. A retomada da Fafen-PR marca ainda o retorno da terceira planta do segmento a operar no país, ao lado das unidades localizadas na Bahia e em Sergipe. A ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado no mundo e desempenha papel estratégico no aumento da produtividade agrícola e na ampliação da produção de alimentos.

“Com as três unidades e a futura entrada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (MS), a estimativa é de queda da dependência externa de fertilizantes do país para cerca de 65%, abaixo dos atuais 80 por cento”, sinaliza Alberico Santos Queiroz Filho, diretor da FUP e do Sindicato dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado).
O conjunto das fábricas de fertilizantes nitrogenados da Petrobrás em operação – Fafen-PR, Fafen-BA e Fafen-SE -produz ureia fertilizante, amônia, gás carbônico (CO₂), metanol, sulfato de amônio e ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo). O Brasil, um dos maiores produtores agrícolas do mundo, é grande consumidor de fertilizantes – insumo estratégico cujos preços internacionais dispararam em meio às guerras da Ucrânia/Rússia e do Oriente Médio.

