O Governo dos EUA divulgou, em fevereiro de 2026, o documento “America’s Maritime Action Plan” (MAP), plano estratégico destinado a revitalizar a indústria naval e a base industrial marítima dos Estados Unidos. O relatório reconhece que a capacidade de construção naval do país sofreu forte erosão nas últimas décadas e propõe uma série de medidas para recuperar competitividade frente a rivais globais.
Segundo o documento, menos de 1% dos navios comerciais do mundo são atualmente construídos nos Estados Unidos, o que evidencia a perda de participação do país no setor. A administração norte-americana considera que essa dependência externa representa riscos tanto econômicos quanto de segurança nacional.
O plano está estruturado em quatro pilares: o primeiro prevê a reconstrução da capacidade de construção naval por meio da modernização de estaleiros, de incentivos financeiros e da criação de zonas de prosperidade marítima para atrair investimentos. O segundo se concentra na formação de mão de obra – com destaque para a necessidade de ampliar o treinamento de marinheiros e de trabalhadores do setor, modernizar a U.S. Merchant Marine Academy e ampliar programas de capacitação técnica. A escassez de profissionais qualificados é apontada como um dos principais entraves ao crescimento da indústria.
O documento, elaborado sob a Ordem Executiva 14269, estabelece uma estratégia de quatro pilares para reconstruir a capacidade de construção naval nacional, expandir a frota de bandeira americana, reformar o desenvolvimento da força de trabalho marítima e fortalecer a resiliência industrial. Para os construtores navais, armadores e fornecedores marítimos dos EUA, o plano sinaliza um investimento potencialmente histórico — aliado a uma significativa reforma estrutural. O terceiro, proteção da base industrial marítima (MIB), um plano para alinhar incentivos comerciais à segurança nacional por meio de reformas na aquisição e na proteção comercial. E o quarto pilar, a Segurança Nacional, Econômica e Resiliência Industrial, considerada fundamental para apoiar uma economia de guerra e garantir rotas comerciais.
No cerne do MAP está o reconhecimento de que os EUA constroem menos de 1% dos navios comerciais do mundo e possuem apenas oito estaleiros capazes de construir grandes embarcações oceânicas. Para os fornecedores de equipamentos marítimos, o plano aborda a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos, exigindo produção nacional de motores marítimos, sistemas de propulsão, peças forjadas, peças fundidas e aços de alta resistência; ampliação dos subsídios para ativação de fornecedores e dos programas de desenvolvimento de fornecedores; incentivos mais robustos para conteúdo nacional em compras federais; redução da dependência de fornecedores únicos. Ou sejam fornecedores dos setores de propulsão, automação, eletrônica avançada e manufatura aditiva têm muito a ganhar se os mecanismos de financiamento forem implementados em larga escala.


