Primeira usina de biometano da América Latina a partir de dejetos suínos


A primeira usina de biometano da América Latina certificada pela ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis a partir de dejetos suínos chega ao Brasil. Com investimento de R$ 65 milhões, a H2A Bioenergia, de conversão de resíduos agroindustriais em energia limpa, inaugurou a unidade em Campos Novos (SC). A planta passou a operar no mercado regulado de biocombustíveis, ampliando a oferta de gás renovável em um setor estimado em cerca de R$ 140 bilhões por ano.

“O biometano é uma solução concreta para reduzir emissões e valorizar os resíduos da produção agropecuária. Esta inauguração é apenas o início de uma série de projetos que irão transformar a matriz energética do Brasil.”, afirma Adilson Teixeira Lima, diretor-presidente da H2A Bioenergia. 

Instalada em parceria com a Copercampos, a unidade combina a venda de energia renovável com a monetização de ativos ambientais. A capacidade diária inclui 16 mil m³ de biometano certificado, 23 mil m³ de biogás e 12 toneladas de CO₂ de grau alimentício. Além da comercialização do biometano, o projeto gera receitas por meio de CBios (RenovaBio) e créditos de carbono.

A certificação da ANP diferencia a unidade ao permitir a comercialização formal do biometano, a emissão de CBios e a rastreabilidade da produção — elementos centrais para contratos de longo prazo. A planta utiliza tecnologias internacionais, incluindo biodigestores CSTR e purificação por membranas, garantindo pureza superior a 96%.

O investimento ocorre em um contexto de expansão do setor no país. De acordo com a Abiogás – Associação Brasileira de Biogás e Biometano), o Brasil tem potencial para produzir mais de 80 bilhões de m³ de biometano por ano a partir de resíduos orgânicos, com destaque para o agronegócio. Ao mesmo tempo, o consumo de combustíveis fósseis — especialmente em transporte pesado e indústria — representa uma oportunidade relevante de substituição. Comparado ao diesel e ao gás natural fóssil, o biometano reduz em mais de 90% as emissões de gases de efeito estufa.

Além do impacto energético, o projeto transforma dejetos da suinocultura em energia limpa, evitando a emissão de metano e promovendo o tratamento adequado de resíduos. Esta é a primeira entrega de uma estratégia de expansão da H2A Bioenergia em Santa Catarina, onde a companhia estrutura um pipeline superior a R$ 500 milhões.

“Existe uma oportunidade clara de integrar o agronegócio à agenda climática de forma economicamente viável. O biometano permite fazer isso com escala e retorno. Nossa lógica é desenvolver projetos replicáveis em regiões com alta densidade agroindustrial, criando polos regionais de produção conectados ao mercado de energia.”, ressalta Lima. 

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