Primeiro equipamento de captura direta de CO₂ na América Latina

O sistema instalado na PUCRS tem a capacidade de remover 300 toneladas de CO₂ anualmente, equivalente ao impacto de reflorestar 14 a 42 campos de futebol, dependendo da metodologia de plantio. / Foto: Giordano Toldo

“É uma satisfação reunir pessoas que acreditam que a pesquisa e a ciência podem ser um instrumento de transformação da sociedade”. Foi assim que o diretor do Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR) da PUC-RS, professor Felipe Dalla Vecchia, iniciou seu discurso na cerimônia de inauguração do Laboratório de Tecnologias de Baixo Carbono e o lançamento do projeto DAC.SI (Direct Air Capture System Integration).  

O evento marcou o início da operação doprimeiro equipamento de Captura Direta de Ar (DAC) no Brasil, com a capacidade de remover 300 toneladas de CO₂ do ar anualmente. O novo equipamento posiciona a Universidade como pioneira na tecnologia de remoção de dióxido de carbono na América Latina. Esse projeto é uma parceira da PUC-RS, por meio do IPR, com a Repsol Sinopec Brasil. 

O DAC.SI é um projeto que visa mitigar as mudanças climáticas por meio da captura direta de CO₂ da atmosfera, uma das tecnologias de ponta na área de emissões negativas (NET). O sistema instalado na PUCRS tem a capacidade de remover 300 toneladas de CO₂ anualmente, equivalente ao impacto de reflorestar 14 a 42 campos de futebol, dependendo da metodologia de plantio.  

O diretor do instituto destacou a importância do lançamento e explicou que essa entrega é apenas o início de um trabalho promissor de cooperação, voltado a oferecer soluções para um desafio complexo: o gerenciamento de emissões de CO₂ e suas implicações para o planeta.

Felipe Dalla Vecchia atua como diretor do Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR) da PUCRS. / Foto: Giordano Toldo

“Esse avanço posiciona o país e o Estado na vanguarda do desenvolvimento de uma das tecnologias-chave para a descarbonização, promovendo novos ciclos de carbono. Além disso, abre caminho para o fortalecimento de negócios, a criação de produtos e serviços inovadores, e a geração de empregos e renda em uma nova cadeia de baixo carbono — essencial para enfrentar os desafios do contexto climático que vivemos”.  

O evento também contou com a presença do pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação, Carlos Eduardo Lobo e Silva, da pró-reitora de Graduação e Educação Continuada, professora Adriana Kampff, pró-reitor de Administração e Finanças, Maurício Testa, e demais lideranças da Universidade, professores e técnicos administrativos.

“Descarbonizar o mundo exige competência científica, mas não apenas isso. Também é necessário quem compre, quem contrate, quem gerencie o projeto, quem defina as cláusulas contratuais e quem construa a estrutura física. Essa tarefa exige uma Universidade em que as estruturas estejam sempre orientadas à excelência em tudo o que faz, e que esteja constantemente atenta ao seu impacto e relevância para a sociedade. Sem dúvida, devemos celebrar as muitas entregas de hoje. O DAC.SI e o Laboratório de Tecnologia de Baixo Carbono estão não apenas alinhados com os nossos direcionadores, mas também em perfeita sintonia com os anseios e preocupações da sociedade”, sintetiza Carlos Eduardo Lobo e Silva.  

A parceria do IPR com a Repsol Sinopec Brasil para a construção do DAC.SI foi oficializada em 2022. O CEO da Repsol Sinopec Brasil, Alejandro Ponce, e o diretor de tecnologia e da Repsol, Fernando Ruiz , destacaram a importância dessa parceria e reforçaram a importância do novo laboratório e do DAC.SI para enfrentar as questões climáticas.  

“Este é apenas o começo de uma jornada, e estou confiante de que com o apoio de todos de todos aqui presentes, conseguiremos levar esse projeto a novos patamares. De forma a contribuir de forma significativa para enfrentar essas mudanças climáticas e contribuir para uma transição energética justa e eficiente”, destacou Alejandro Ponce. 

O Assessor Técnico da Superintendência de Tecnologia e Meio Ambiente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), José Carlos Soares Tigre, também veio prestigiar o lançamento e ressaltou a importância global da iniciativa. 

“É uma grande satisfação perceber que os recursos gerados pela indústria fóssil estão, de fato, contribuindo para viabilizar a transição energética e a descarbonização da economia. Quero agradecer à PUC-RS e à Repsol Sinopec Brasil pelo convite para estar aqui hoje. Consideramos essencial demonstrar nosso apoio a iniciativas com esse propósito.” 

“O lançamento do DAC 300 é um marco na nossa jornada de inovação e sustentabilidade, refletindo nosso compromisso em destinar 50% dos nossos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para tecnologias de descarbonização e energias renováveis. O DAC 300 reforça nosso papel na liderança da transição energética e da descarbonização,” afirmou o CEO da Repsol Sinopec Brasil.
O DAC utiliza grandes “ventiladores” que captam o ar que segue por meio de filtros internos preenchidos com materiais capazes de realizar a adsorção do CO₂, separando-o dos demais gases. O CO₂ capturado pelo equipamento pode ter dois destinos: a injeção no subsolo para armazenamento geológico, mineralizado em rochas basálticas ou convertido em novos produtos, como combustíveis sintéticos. A tecnologia está entre uma das mais promissoras para que o mundo consiga alcançar as metas do Acordo de Paris.

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