Remuneração diferenciada para PCHs e CGHs


O diretor financeiro da Itaipu Binacional, André Pepitone, afirmou que as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e as Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs), devem ter uma remuneração diferenciada pelos serviços que prestam ao sistema, os chamados serviços ancilares necessários para garantir que o sistema elétrico, da geração ao consumo, funcione de forma adequada.

“As PCHS e CGHs têm importância histórica no Brasil. Além de promoverem o desenvolvimento em pequenos municípios, gerando emprego e renda, elas são capazes de oferecer serviços ancilares ao sistema. Perdem a relevância de segurança energética e ganham relevância operativa, que é a grande necessidade do sistema elétrico”, afirmou Pepitone, durante o II ABRA-TEC, Seminário sobre Inovações Tecnológicas e Sustentabilidade Socioeconômica Ambiental das Hidrelétricas. O evento foi realizado pela ABRAPCH – Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas e Centrais Geradoras Hidrelétricas, com apoio da Itaipu Binacional.

O diretor da Itaipu ressaltou ainda que as pequenas usinas retornam de forma ascendente com representatividade no mercado. “É fundamental termos políticas públicas apoiando estes empreendimentos, remunerando-os de forma adequada e equilibrada pelos serviços que prestam ao sistema”, destacou. Pepitone disse ainda que o Brasil tem avançado no sentido de diversificar a matriz elétrica com hidrelétrica, solar, eólica, biomassa e outras, cada uma com sua importância. “Precisamos de uma política de melhor remuneração e risco para o papel que cada matriz presta ao sistema”, defendeu.

O Seminário abordou temas como hidroeletricidade e sustentabilidade, hidrogênio verde e hidrelétricas, serviços, novidades, tecnologias do setor e aconteceu no Parque Tecnológico de Itaipu (PTI).

O sistema elétrico e os equipamentos que nele estão inseridos operam de acordo com aspectos técnicos pré-estabelecidos, como os limites de tensão e frequência. Para que o sistema mantenha a segurança de fornecimento com essas rápidas variações, são utilizados os serviços ancilares

Entre os serviços ancilares estão o auto restabelecimento, que é a capacidade de uma geradora para sair de uma condição de parada total para uma condição de operação, contribuindo para a recomposição do sistema elétrico; o controle de frequência, para manter ou restabelecer a frequência do sistema quando há desequilíbrio entre carga e geração; suporte de reativos, fornecimento ou absorção de reativos por unidades geradoras utilizado para controle de tensão do sistema; sistema especial de proteção (SEP) que, a partir da detecção de risco para a rede elétrica, realizam ações automáticas para preservar a integridade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e a manutenção da reserva de potência operativa: despacho termelétrico para manter a água no reservatório de hidrelétricas que prestam controle de frequência.

A presidente da ABRAPCH, Alessandra Torres de Carvalho, disse que as PCHs e CGHs têm um papel essencial no controle de tensão. “Além dos serviços vinculados à própria operação das usinas, há atributos socioambientais que se traduzem em benefícios não apenas para o sistema elétrico, como também para o entorno das PCHs. Além do potencial de desenvolvimento local, elas ajudam, por exemplo, a reduzir as perdas de energia, pois constroem suas próprias linhas de transmissão. E têm ainda a vantagem de estarem próximas aos centros de consumo”, destaca Alessandra.

Atualmente, as PCHs e CGHs somam juntas 5.560 megawatts (MW) de energia gerada. São 1.046 usinas em operação no país. Este volume de energia tem capacidade para abastecer 9 milhões de residências, 24 horas por dia.

O Paraná é um dos estados brasileiros que mais incentiva a construção de pequenas usinas para geração de energia. O Estado é o sexto do País em empreendimentos, com 40 projetos em operação, responsáveis por gerar uma potência outorgada total de 496,28 Megawatts (MW), segundo dados da Abrapch. Entre os anos de 2019 e 2023, entraram em operação 19 PCHs e CGHs com investimentos que somam R$1,48 bilhões. De acordo com o Instituto Água e Terra (IAT), essa potência é suficiente para atender as cidades de Londrina e Maringá, juntas.

Há, ainda, 12 outros empreendimentos em andamento – cinco usinas em construção e sete em processo de tramitação de licenciamento. Já em relação às CGHs, o Paraná é o quarto do ranking nacional, com 71 projetos em operação e 92,46 MW de potência outorgada.

O mercado de hidrogênio verde foi abordado por especialistas de diferentes áreas, entre elas, a Associação Brasileira de Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis (ABHIC), Eletrobrás e ANEEL.

O presidente da ABHIC, Sérgio Augusto Costa, apresentou a entidade – que tem como objetivo implementar as condições de mercado para o desenvolvimento de hidrogênios e combustíveis sustentáveis no país.

Ele explicou que as PCHs e CGHs, assim como as grandes hidrelétricas, são fundamentais na geração de hidrogênio verde devido a sua capacidade de produzir energia firme e renovável. “A geração de hidrogênio verde a partir da eletrólise da água exige um alto fator de utilização da planta, que gira em torno de 60%. Ou seja, quanto mais energia disponível para gerar eletrólise, maior será o retorno”, mencionou. O mercado de hidrogênio verde, segundo ele, neste momento encontra-se na fase de definição do marco regulatório. “O empreendedor deve aguardar o marco regulatório do hidrogênio para garantia de investimentos na planta”, alerta.

Já o gerente de E-combustíveis da Eletrobrás , Victor Hugo Rizzo, mostrou o projeto piloto da usina de energia verde da empresa, que opera desde 2021 e já produziu três toneladas de energia verde e deverá ser ampliada até 2025.

Já a palestra do coordenador de Inovação e Engajamento no Mercado na ANEEL, Márcio Venício Pilar Alcântara, teve como foco o PDI estratégico do hidrogênio renovável, que possibilita a livre participação de empresas do setor elétrico. “Esta nova chamada em desenvolvimento surgiu pelo fato de que a nossa matriz elétrica tem mais de 85% de energia renovável”, afirmou. Entre os palestrantes que participaram do evento o diretor executivo da Cia Ambiental e presidente do Conselho de Administração da ABRAPCH, Pedro Dias; o gerente de meio ambiente do grupo Hy Brazil, André Garcia; o engenheiro civil do Parque Tecnológico ITAIPU (PTI), com atuação em Sistemas de Monitoramento e Alertas de Barragens, Edivaldo José da Silva Junior e o chefe da Divisão de Licenciamento Estratégico do Instituto Água e Terra, Jean Carlos Helferich, explicou todas as etapas para obtenção de licenças ambientais no Paraná.

Já os serviços, novidades e tecnologias do setor debatidos pelo CEO e co-founder da Eletrify, startup voltada para soluções inovadoras e disruptivas para o setor hidrelétrico, Marcelo Rodrigues; o diretor técnico na Vetorlog, Daniel Taketa dos Santos Lima; o conselheiro da ABRAPCH e dos Fundos Solar I e II, Julio Fantin Ribeiro e o gerente de automação e serviços na Hydac Tecnologia, que atua no fornecimento de tecnologia ao setor Hidroelétrico , Marcel Aguiar Magre.

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