Rio Pipeline & Logistics 2025 consolida debates sobre regulação, logística e transição energética


A edição de 2025 da Rio Pipeline & Logistics, que teve início em 9 de setembro no ExpoRio Cidade Nova, no Rio de Janeiro (RJ), firmou-se como palco para debates estratégicos sobre infraestrutura energética, regulação, logística e a transição energética no Brasil. Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Roberto Ardenghy, o evento alcançou um crescimento de aproximadamente 30% nas inscrições em comparação com a edição anterior, reflexo do interesse crescente da indústria no alinhamento entre tendências técnicas e decisões empresariais.

“A fundação dos nossos eventos é técnica. Nós temos essa preocupação e isso é o nosso diferencial. Com os trabalhos técnicos, trazemos as tendências para os próximos anos, e isso orienta as decisões estratégicas das empresas”, disse Ardenghy.

Ildemar Nunes, Co-chair da Rio Pipeline & Logistics Petrobras, destacou que essa é a primeira edição onde os trabalhos seriam apresentados em três idiomas: português, inglês e espanhol.

A importância da conexão de gás no Cone Sul, em especial com o campo de Vaca Muerta, na Argentina, e a ampliação da malha de dutos na região Centro-Oeste, com a expansão da produção de biocombustíveis, ganharam destaque no evento. O presidente interino da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Carlos Eduardo Cabral Carvalho, anunciou um plano que prevê investimentos da ordem de até R$ 29 bilhões na infraestrutura dutoviária do país.

O modal dutoviário foi reafirmado como mais seguro e menos impactante em emissões de CO₂, um contraponto ao modal rodoviário: a diretora executiva de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Angélica Laureano, apontou como temas fundamentais os planos de logística para a Margem Equatorial e a expansão da malha de gasodutos para a região Centro-Oeste. “A nossa produção de energia vai crescer mais limpa. Por isso vamos falar, no evento, sobre temas como a logística para a Margem Equatorial, a expansão para o Centro-Oeste e outros projetos”, disse a executiva.

“A intermodalidade é essencial para debatermos a logística do país. E isso é um desafio, tendo em vista que estamos falando de um país com tamanho continental. Além disso, terão que ser desenhadas novas rotas que integrem o Brasil ao mercado internacional”, ressaltou o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.

“Em um país com dimensões continentais, os dutos são as artérias invisíveis que mantêm o país em movimento”, afirmou o diretor do Departamento de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia (MME), Marcello Weydt.

O novo diretor-geral da ANP, Artur Watt, afirmou que a transição energética precisa ser feita do lado da oferta e pensando em alternativas. “E, como estamos num evento de dutos, temos que pensar, também, em novas tecnologias de monitoramento, como as que monitoram as emissões fugitivas. Uma malha que está em expansão precisa se atentar a isso”, finalizou. Segundo levantamentos apresentados pelo IBP e demais players do setor, há expectativa de mobilização de recursos da ordem de R$ 29 bilhões destinados a infraestrutura dutoviária e logística, ligados tanto a projetos novos quanto à modernização da infraestrutura existente. A Petrobras, por exemplo, abordou a importância de projetos logísticos para a Margem Equatorial, bem como de rotas de transporte energético para o Centro-Oeste, regiões com desafios logísticos e operacionais históricos. Vaney Nascimento da Cunha, gerente executivo de Logística de E&P da Petrobras, citou a falta de conexão terrestre em partes do Amapá, problemas nas rodovias como a BR-156 (Oiapoque-Macapá), além da necessidade de fornecedores locais e mão de obra especializada – lacunas logísticas e de pessoal que dificultam  o desenvolvimento de projetos na região se traduza de forma eficiente.

Um tema que dominou as discussões foi a regulação do setor de gás natural. A necessidade de implementação efetiva dos desdobramentos da Lei do Gás, bem como a estabilidade regulatória, foram colocadas como condições essenciais para estimular investimentos e garantir previsibilidade para os projetos em curso.

Em paralelo, a exposição refletiu não só o interesse por novas tecnologias e players logísticos, mas a ampliação de cadeias de fornecimento e participação de empresas de todas as pontas da cadeia de energia e infraestrutura. A exposição também ofereceu uma programação com apresentações de cases e debates sobre inovação, segurança e sustentabilidade no setor. As empresas aproveitam a ocasião para demonstrar como suas tecnologias contribuem para aumentar a eficiência, reduzir custos, ampliar a segurança operacional e apoiar a transição energética no Brasil. Além disso, o espaço permitiu interação direta com os produtos, permitindo que os profissionais do setor conheçam de perto as soluções que estão transformando a logística e a infraestrutura de energia no país.

IBP, Petrobras, ANP, Ministério de Minas e Energia, EPE, Transpetro e órgãos estaduais reforçaram que os próximos anos serão decisivos para consolidar o Brasil como ponto de referência não só em produção de energia, mas também em eficiência logística, sustentabilidade e integração regional.

O evento atraiu 10.800 participantes – entre executivos, autoridades e especialistas de 29 países -, registrando um crescimento de 32% em relação à última edição e confirmando o reaquecimento dos investimentos em infraestrutura de energia.

“Esta edição foi histórica, não apenas pelo número de profissionais e empresas participantes, mas também porque ampliamos o escopo para o segmento de logística. Esta integração, que já é muito presente no nosso setor, teve destaque também na programação 2025”, afirmou Roberto Ardenghy, presidente do IBP.

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