Rosatom reúne especialistas do Brasil e de outros países em agenda de pesquisa nuclear avançada

O vaso do reator é baixado para a posição correta (Imagem: Rosatom)

Mais de 80 especialistas de 35 organizações de vários países, incluindo o Brasil, reuniram-se em 6 de maio, em Moscou, para discutir as perspectivas de pesquisa em materiais e combustíveis nucleares com uso do reator MBIR. Também participaram pesquisadores da Rússia, China, Vietnã, Uzbequistão, Tunísia e Jordânia, entre outros países. O encontro, realizado no âmbito do Centro Internacional de Pesquisa baseado no MBIR, reforça o papel da cooperação internacional no desenvolvimento de novas tecnologias nucleares para fins pacíficos. O reator MBIR está em construção em Dimitrovgrad, na Rússia, no Instituto de Pesquisa de Reatores Atômicos, que integra a divisão científica da Rosatom.
O MBIR será um reator de pesquisa multipropósito de nêutrons rápidos, refrigerado a sódio, com potência térmica de aproximadamente 150 MW.
O tema tem grande relevância para o Brasil, que avança na implantação do Reator Multipropósito Brasileiro, projeto coordenado pela CNEN Comissão Nacional de Energia Nuclear. Segundo dados do CNEN, o RMB será um reator de pesquisa voltado à produção de radioisótopos para medicina e indústria, testes de materiais e combustíveis nucleares, pesquisas com feixes de nêutrons, análises laboratoriais, formação de profissionais e treinamento de equipes para operação e manutenção de reatores de potência.

A discussão internacional sobre o MBIR ocorre em um momento em que países buscam ampliar o acesso a infraestruturas científicas capazes de acelerar pesquisas em materiais avançados, radioisótopos, novos combustíveis, pequenos reatores modulares e sistemas nucleares de quarta geração. Durante a reunião, foram apresentadas demandas específicas de pesquisa para o MBIR. Instituições como o Instituto de Pesquisa Nuclear de Dalat, do Vietnã, e o Instituto de Física de Plasma da Academia Chinesa de Ciências apresentaram trabalhos em ciência dos materiais, física de reatores e fusão termonuclear controlada. A Rosatom informa que o fluxo e a densidade de nêutrons previstos para o MBIR foram projetados para atender a esse tipo de experimento de alta complexidade.

Cooperação para pesquisa

“Instalações científicas únicas, capazes de responder aos desafios energéticos do futuro, são prioridade para programas nacionais de pesquisa. Poucos países conseguem conduzir experimentos desse nível, e ainda menos conseguem construir essas instalações”, afirmou Stepan Kalmykov, presidente do Conselho Consultivo do IRC MBIR, vice-presidente da Academia Russa de Ciências e diretor científico do Departamento de Química da Universidade Estatal de Moscou.

Segundo Vladimir Novikov, diretor científico do Instituto Bochvar, o MBIR poderá reduzir de forma significativa o tempo e os recursos necessários para estudar propriedades de revestimentos, componentes de núcleo e materiais estruturais. “Os dados obtidos se aplicam a uma ampla gama de tecnologias modernas, de reatores de alta temperatura refrigerados a gás e pequenos reatores modulares à fusão termonuclear”, disse.

Um dos resultados da reunião foi a proposta de integrar as capacidades de pesquisa de duas instalações científicas: o reator PIK, de alto fluxo, em Gatchina, e o MBIR, em Dimitrovgrad. A combinação de diferentes espectros de nêutrons, equipamentos e métodos de pesquisa poderá criar sinergias para solucionar desafios científicos aplicados e fundamentais. O Centro Internacional de Pesquisa baseado no MBIR funciona em formato de consórcio internacional, aberto a novos participantes. Segundo a Rosatom, seus integrantes têm acesso acelerado à realização de experimentos voltados a programas nacionais de uso pacífico da energia nuclear. Para países como o Brasil, que desenvolvem infraestrutura própria de pesquisa nuclear, a cooperação internacional amplia a troca de conhecimento e fortalece a capacidade de formar especialistas, testar materiais e desenvolver aplicações em saúde, indústria, energia e meio ambiente.

Agenda brasileira

Maquete das instalações do Reator Multipropósito Brasileiro, em Iperó (SP)

Para o Brasil, a agenda de reatores de pesquisa se conecta à autonomia em radioisótopos usados na detecção e no tratamento do câncer e de outras doenças. O RMB foi concebido para permitir a produção nacional desses materiais, reduzindo a dependência externa e ampliando as condições de atendimento em exames e tratamentos médicos.

As obras de infraestrutura do RMB começaram em fevereiro de 2025, com previsão de conclusão dessa etapa no primeiro semestre de 2026. A etapa seguinte, de construção civil, tem conclusão prevista para 2030. Segundo a CNEN, o empreendimento será capaz de produzir radioisótopos de reatores de pesquisa necessários ao Brasil, com impacto esperado sobre a medicina nuclear e o atendimento à população.

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