O São Paulo Innovation Week (SPIW) 2026, realizado entre 13 e 15 de maio no Pacaembu e na FAAP, reuniu palestrantes nacionais e internacionais em trilhas voltadas à inteligência artificial, indústria 5.0, energia, sustentabilidade, saúde, agronegócio, educação, defesa, cidades inteligentes e economia criativa. A cerimônia oficial de abertura – realizada na noite de 12 de maio, na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) -, reuniu autoridades públicas, empresários, representantes da indústria, universidades, Forças Armadas e executivos do ecossistema de inovação
Durante a cerimônia, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, destacou a velocidade das transformações tecnológicas atuais afirmando que o mundo sempre mudou, mas agora as transformações que levavam décadas agora acontecem em poucos anos.

Paulo Skaf recebeu o estudante João Victor Nunes – que conquistou o título mundial de robótica em Houston, principal premiação da categoria FLL, contribuindo para o tricampeonato mundial do Sesi-SP. Ao longo de sua trajetória, o aluno já acumula mais de 17 premiações nacionais e internacionais. Em 2026, ele e seu time voltaram a conquistar a etapa nacional da competição, realizada no Ibirapuera, garantindo nova vaga para o mundial de Houston, que realizada entre o fim de abril e o início de maio. Em sua fala, o estudante também incentivou empresários e lideranças presentes a ampliarem iniciativas voltadas à formação e ao desenvolvimento de jovens talentos.

A Marinha do Brasil participou oficialmente do lançamento do festival levando projetos ligados a energia nuclear, defesa cibernética, oceanografia e inovação tecnológica estratégica. Segundo o almirante Alexandre Rabello de Faria, diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, a participação da instituição no SPIW reforçou a aproximação da Força Naval com o ecossistema brasileiro de inovação. O oficial afirmou que a programação do evento dialoga diretamente com o sistema de ciência e tecnologia da Marinha ao conectar “tecnologia, empreendedorismo, indústria, economia criativa, inteligência artificial e transformação social”.

A Marinha do Brasil levou ao SPIW projetos ligados a energia nuclear, oceanografia, cibernética e tecnologias estratégicas. Segundo o almirante Alexandre Rabello de Faria, o evento dialoga diretamente com o Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha ao conectar “tecnologia, empreendedorismo, indústria, inteligência artificial e transformação social”.
Destaque para a FAAP – Fundação Armando Alvares Penteado que desempenhou papel estratégico no São Paulo Innovation Week 2026 ao transformar seu campus em um dos principais polos de debates, experiências imersivas e conexões entre academia, mercado e setor público. Além de sediar parte relevante da programação do festival, a FAAP se posicionou como articuladora da convergência entre educação, criatividade, tecnologia e empreendedorismo, reforçando sua estratégia de aproximação com os ecossistemas de inovação. O campus recebeu conferências, instalações interativas, painéis sobre inteligência artificial, economia criativa, educação digital e transformação social, integrando a programação do SPIW à própria Semana Acadêmica da instituição.
Rogério Massaro, diretor acadêmico da FAAP, afirmou que “a academia não pode mais atuar isolada” e precisa ampliar sua integração com empresas e governos para acelerar soluções inovadoras. Segundo ele, o ambiente universitário reúne “a ousadia dos alunos com o conhecimento consolidado dos professores”, criando condições favoráveis para experimentação tecnológica e desenvolvimento de novos modelos de negócios.
A atuação da FAAP no SPIW também evidenciou a expansão de investimentos da instituição em inteligência artificial, tecnologias emergentes e formação multidisciplinar. A fundação destacou que seus cursos passaram a incorporar conteúdos ligados à IA, automação, design digital e inovação tecnológica, alinhando a formação acadêmica às transformações da economia digital. A instituição utilizou o festival para reforçar seu posicionamento como espaço de integração entre arte, cultura, negócios e ciência aplicada.

Segundo Rodrigo Mello, diretor do SENAI-RN e do ISI-ER, a exposição buscava “deixar a inovação acessível aos visitantes”, aproximando o público de tecnologias ligadas à energia offshore, combustível sustentável de aviação (SAF) e transição energética.
A participação do SENAI reforçou uma das mensagens centrais do SPIW 2026: a inovação industrial brasileira passa necessariamente pela integração entre educação técnica, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico. O Sistema Indústria aproveitou o ambiente do evento para destacar iniciativas ligadas à eficiência energética, produtividade industrial, hidrogênio verde e descarbonização. Entre elas esteve a chamada PotencializEE Inovação e Descarbonização, lançada pelo SENAI-SP em parceria com a agência alemã GIZ, com R$ 9 milhões destinados a projetos de eficiência energética e redução de emissões industriais.

O SPIW também refletiu o avanço da política industrial brasileira associada à inovação. As discussões realizadas no evento dialogaram diretamente com a estratégia da Nova Indústria Brasil (NIB), conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) – ela busca impulsionar a neoindustrialização até 2033, articulando competitividade, sustentabilidade, transformação digital e soberania tecnológica.
Dentro dessa agenda, programas federais como o Brasil Mais Produtivo apareceram como exemplos de cooperação entre governo, indústria e instituições tecnológicas. Coordenado pelo MDIC com participação de entidades como BNDES, Finep, Embrapii, Sebrae, SENAI e ABDI, o programa foi citado em iniciativas de capacitação apresentadas durante o período do evento, voltadas à manufatura enxuta, eficiência energética e transformação digital das pequenas e médias indústrias brasileiras.
Outro destaque da edição 2026 foi a forte presença do setor público e das estruturas governamentais ligadas à ciência, tecnologia e inovação. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos apareceu entre os órgãos federais associados à agenda de transformação digital do Estado brasileiro, tema recorrente em debates sobre inteligência artificial, modernização administrativa e governo digital.
No âmbito estadual, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo participou da agenda institucional do SPIW ao lado de universidades, hubs tecnológicos e parques de inovação, reforçando o papel paulista na articulação de ecossistemas de empreendedorismo e tecnologia. O evento consolidou a aproximação entre políticas públicas, indústria e startups como eixo estratégico para competitividade econômica.
A inteligência artificial foi o principal tema transversal da programação. Os debates abordaram IA generativa, automação industrial, ética algorítmica, segurança cibernética, produtividade corporativa e impactos sobre o mercado de trabalho. A visão predominante entre palestrantes e instituições foi a de que a IA deixará de ser diferencial competitivo para tornar-se infraestrutura básica da economia digital.
O conceito de Sociedade 5.0 apareceu em diversas trilhas relacionadas à integração homem-máquina, requalificação profissional e inovação centrada no ser humano. Em vez de tratar tecnologia apenas como ferramenta de eficiência, o SPIW enfatizou a necessidade de equilibrar automação, inclusão social, criatividade e desenvolvimento sustentável.
A pauta energética também ocupou posição central no São Paulo Innovation Week 2026, refletindo o avanço da transição energética como eixo estruturante da nova política industrial brasileira. Hidrogênio verde, combustível sustentável de aviação (SAF), energia offshore, armazenamento energético, eletrificação da mobilidade, eficiência energética e descarbonização industrial estiveram entre os temas mais recorrentes das trilhas técnicas e institucionais do evento. Os debates mostraram como a agenda energética deixou de ser restrita ao setor elétrico e passou a envolver diretamente competitividade industrial, segurança energética, logística, financiamento climático e soberania tecnológica.
O tema do hidrogênio verde apareceu associado ao potencial brasileiro de produção a partir de fontes renováveis, especialmente eólica e solar. Painéis discutiram desde a criação de hubs exportadores até desafios regulatórios, infraestrutura portuária, armazenamento e integração com cadeias industriais de aço, fertilizantes e combustíveis. O SAF também ganhou destaque diante da pressão internacional por redução de emissões na aviação, consolidando-se como uma das principais apostas brasileiras para agregação de valor ao agronegócio e à bioenergia.

A energia offshore foi outro eixo estratégico debatido durante o SPIW, especialmente em função do avanço dos projetos de eólicas marítimas e da integração entre petróleo, gás e renováveis. Nesse contexto, chamou atenção o protagonismo do Senai do Rio Grande do Norte e de seus institutos de inovação, que utilizaram o evento para apresentar projetos ligados à pesquisa aplicada em transição energética. Entre os destaques esteve a plataforma tecnológica Bravo, desenvolvida em parceria entre Petrobras e o Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), apresentada em formato holográfico durante ações do Sistema Indústria. A tecnologia é voltada ao monitoramento offshore e integra iniciativas de pesquisa em ambientes marítimos estratégicos para o setor energético brasileiro. O protagonismo do Senai-RN evidenciou como o Nordeste brasileiro vem se consolidando como um dos principais polos nacionais de pesquisa aplicada em energias renováveis e descarbonização industrial. A região concentra alguns dos maiores investimentos brasileiros em geração eólica, solar, hidrogênio verde e infraestrutura portuária voltada à exportação de combustíveis de baixo carbono. Os institutos Senai têm ampliado sua atuação em testes laboratoriais, digitalização energética, armazenamento, combustíveis sustentáveis e integração entre automação industrial e geração renovável.
Outro aspecto enfatizado no evento foi a crescente convergência entre eficiência energética e digitalização industrial. Especialistas discutiram como inteligência artificial, sensores inteligentes, digital twins, edge computing e sistemas avançados de automação estão transformando o gerenciamento energético em refinarias, plantas químicas, data centers, siderúrgicas e fábricas de alimentos e bebidas. A visão predominante nos painéis foi a de que a descarbonização industrial dependerá não apenas da substituição de fontes energéticas, mas também da digitalização dos processos produtivos e da gestão inteligente do consumo energético.
A mobilidade elétrica apareceu conectada às discussões sobre infraestrutura urbana, redes inteligentes e armazenamento energético. Fabricantes, startups e especialistas ressaltaram os desafios relacionados à expansão da infraestrutura de recarga, nacionalização de componentes, reciclagem de baterias e integração entre veículos elétricos e smart grids. Ao mesmo tempo, debates sobre mineração crítica e geopolítica dos minerais estratégicos mostraram como a transição energética também vem reconfigurando cadeias globais de suprimentos.
Ao reunir indústria, centros tecnológicos, startups, universidades e governo em torno desses temas, o SPIW 2026 evidenciou que a agenda energética brasileira está deixando de ser apenas uma discussão ambiental para tornar-se um vetor central de competitividade econômica, inovação tecnológica e reposicionamento industrial do país no cenário global.
A estrutura do festival foi desenhada para conectar as principais frentes produtivas do Brasil sob uma ótica tecnológica, difundindo a inovação em 15 diferentes verticais através de conhecimento, com mais de 33 palcos simultâneos para que as pessoas pudessem sentir o que está sendo projetado para o futuro.
O encerramento do SPIW ocorreu com balanço considerado positivo pelos organizadores: mais de 80 mil visitantes circularam entre a Arena Pacaembu e a FAAP, com a presença de delegações de 30 países, 1.877 palestrantes e aproximadamente 990 horas de conteúdo: agora o objetivo é transformar o SPIW em um evento maior, ampliando ainda mais sua dimensão internacional e capacidade de geração de negócios – os organizadores estimam que o evento possa gerar R$ 4 bilhões em negócios e fortalecer São Paulo como polo de inovação, tecnologia e ciência.

