O Brasil passa a contar com uma entidade dedicada à promoção da circularidade e gestão de resíduos no país. Reconhecida oficialmente no dia 08 de julho, como Entidade Gestora do sistema de eletroeletrônicos, junto do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Instituto Circulare já iniciou suas atividades com mais de 15 empresas do setor como associadas. A missão da entidade é produzir dados, estudos e mapear fluxos capazes de orientar decisões sobre a circularidade no país. A lacuna que o Instituto pretende cobrir é conhecida. O Brasil é o 5º maior gerador de resíduos eletroeletrônicos no mundo, com cerca de 2 milhões de toneladas por ano, de acordo com o Global E-Waste Monitor 2024. Mundialmente, apenas 22,3% desse tipo de resíduo recebe destinação adequada. Estima-se que os materiais não reaproveitados poderiam devolver mais de US$60 bilhões para a economia global.

Apesar dos números aproximados, o Brasil ainda não dispõe de um retrato consolidado, baseado em pesquisa e com informações concretas sobre o comportamento de consumo e o destino desses materiais. “A economia circular costuma ser lida exclusivamente como pauta ambiental, mas ela pertence naturalmente ao campo da produção. Estamos falando de como um produto é concebido, usado e de como os insumos podem ser recuperados. É política industrial, tratando de desenvolvimento, inovação e competitividade em um cenário de cadeias de suprimento cada vez mais disputadas e escassas”, explica Bruno Moreno, Presidente do Instituto Circulare.
As primeiras frentes de estudo do Instituto se voltam à identificação dos fluxos de materiais, ao diagnóstico do comportamento de consumo e ao posicionamento da economia circular como instrumento de transição produtiva. De acordo com o Presidente, as empresas associadas passam a ser contempladas em um relatório consolidado, reduzindo a fragmentação do processo de reporte e oferecendo um panorama mais amplo do setor. A pauta do Instituto Circulare também se alinha à discussão global sobre acesso a recursos. Equipamentos descartados concentram materiais que voltam a ter valor na produção, e tratá-los apenas como um passivo legal faz com que empresas percam oportunidades. “Quando a logística reversa é vista só como uma obrigação, fica fácil ignorar o que está em jogo. Há valor econômico sendo deixado para trás”, explica o especialista.
Para viabilizar os estudos, o Conselho Técnico-Científico do Instituto reunirá pesquisadores de referência no tema, responsáveis por definir a linha de pesquisa da entidade. Em paralelo, serão negociadas cooperações técnicas com agentes públicos que orientam a economia circular no país.

