Taxa de utilização de tecnologias avançadas cresce, mas esbarra em altos custos


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou o resultado da mais nova Pesquisa de Inovação Semestral – Pintec Semestral 2024: Tecnologias digitais avançadas, teletrabalho e cibersegurança. Segundo o estudo, realizado em parceria com a ABDI Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o percentual de empresas industriais que utilizam inteligência artificial (IA) subiu de 16,9% para 41,9% entre 2022 e 2024. Em meio às tecnologias pesquisadas, há, ainda, espaço para mais avanços.

“Trata-se de um aumento muito significativo, que revela a disseminação de IA no setor produtivo brasileiro”, aponta a analista de produtividade e Inovação da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial da ABDI, Simone Uderman. “Especificamente na área de produção, o número de empresas que utilizaram IA passou de 913, em 2022, para 2.217 em 2024”, detalha a analista. 

A edição temática da Pintec Semestral 2024 reúne dados referentes a 10.167 empresas das indústrias extrativas e de transformação com 100 ou mais pessoas ocupadas. O estudo aponta que 89,1% das empresas investigadas utilizaram em 2024 pelo menos uma das seis tecnologias digitais avançadas consideradas na pesquisa: além de IA, análise de big data, computação em nuvem, internet das coisas (IoT), manufatura aditiva e robótica.

Embora tenha sido a que mais cresceu, a inteligência artificial não teve a maior taxa de utilização. Dados da pesquisa revelam que a solução mais utilizada foi computação em nuvem, operada por 77,2% das empresas: das 10.167 indústrias, 7.849 fizeram uso dessa tecnologia em pelo menos uma de suas áreas e funções de negócios por meio de serviços pagos ou pré-pagos.

Internet das Coisas (IoT), utilizada por 50,3% das empresas, também supera o uso de IA. Robótica (30,5%); big data (27,8%) e manufatura aditiva (20,3%) fecham a tabela.

Ainda que por vezes tímido, o aumento em todos os indicadores em comparação com os dados de 2022 sugere o crescente entendimento do empresariado sobre as vantagens da transformação digital. “Os maiores benefícios identificados pelas empresas em função do uso das tecnologias são o aumento da eficiência e a maior flexibilidade em processos administrativos, produtivos e organizacionais”, acrescenta Simone.

A adoção das novas soluções, no entanto, permanece fora do alcance de muitas empresas. Embora tenham registrado queda de 2 pontos percentuais (p.p.) em comparação com 2022, as menções aos altos custos das ferramentas tecnológicas indicam que esse fator permanece sendo o que mais dificultou a utilização dessas tecnologias, tendo sido citado por 78,6% das empresas.

A falta de pessoal qualificado foi percebida como dificuldade por 54,2% das empresas, por sua vez, enquanto o indicador Riscos associados à segurança e privacidade passou foi mencionado por 47,2%.

A incapacidade total ou parcial de empresas aderirem a soluções como big data e IoT, seja por motivos financeiros, por falta de profissionais qualificados ou por outros fatores relevantes apontados na pesquisa, reforça a importância de ações de fomento dos setores púbico e privado. 

“Os altos custos das soluções tecnológicas ainda são um entrave para a adoção das tecnologias digitais avançadas e isso destaca o grande espaço para a expansão de programas de apoio”, observa Simone.

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