Abiclor lança Rota Estratégica para fomentar o crescimento da indústria química de cloro-álcalis


A Abiclor – Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados lançou, em evento realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, o levantamento “Rota Estratégica da Indústria de Cloro-Álcalis”. O estudo é inédito e apresenta a atual situação do setor cloro-álcalis, que nos últimos dez anos não cresceu, e as ações necessárias para reverter esse quadro com alcance social do segmento, transição verde como ferramenta de competitividade e inserção no mercado internacional. 

O estudo traz o Observatório do Sistema Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) como parceiro técnico, que, por meio do método roadmapping, consolidou a inteligência coletiva de diversos stakeholders da cadeia de cloro-álcalis, entre eles, indústrias como Braskem, Chemtrade, Chlorum Solutions, Dow, Katrium, Unipar, empresas de logística e transporte do setor, poder público, entidades representativas, organizações do terceiro setor e instituições de ciência, tecnologia e inovação.

Todos estes stakeholders participaram de forma colaborativa para a construção do documento.

O setor de cloro-álcalis gera impactos significativos em toda a indústria brasileira, afinal, os produtos cloro e soda são utilizados como insumos ou durante o processo produtivo de mais da metade dos produtos químicos disponíveis no mercado, além de contribuírem para a fabricação de itens como plásticos, espumas, pigmentos, remédios, defensivos agrícolas e muitos outros. São também elementos indispensáveis para saneamento básico de água e esgoto nas cidades e primordiais para as indústrias de celulose, alumínio e petróleo. A multiplicidade de áreas para as quais o setor fornece insumos evidencia que possui um alto poder de encadeamento: sua dinâmica está relacionada com o desempenho de toda a economia.

“O setor de cloro-álcalis tem uma série de desafios a serem vencidos na próxima década, entre eles, um dos mais relevantes é a competitividade em relação a outras regiões do planeta. Isto se deve aos maiores custos no Brasil das matérias primas, como o gás e a eletricidade, logística e infraestrutura, uma maior e mais complexa tributação, ambiente regulatório e segurança jurídica. Considerando estes e outros desafios, a Rota Estratégica teve como objetivo a criação de um plano estratégico com ações para endereçar o futuro e permitir a construção de uma indústria sustentável”, diz Mauricio Russomanno, (à direita na foto)presidente do Conselho Diretor da Abiclor e CEO da Unipar, líder na produção de cloro e soda e a segunda maior produtora de PVC na América do Sul.

A Rota Estratégica da Indústria de Cloro-Álcalis buscou reconhecer o cenário atual da cadeia de cloro-álcalis, que representa 1,1% do PIB nacional. De 2017 a 2021, este setor recebeu R$ 3 bi de investimento privado das empresas produtoras e a expectativa é que o montante recebido de 2022 a 2025 seja um investimento total de R$ 5 bi.

Dessa forma, a renda gerada pela indústria de cloro-álcalis para a economia brasileira atingiu R$ 2,294 bilhões, em 2019. Esse valor corresponde à diferença entre o valor da produção nacional, que foi de R$ 3,110 bilhões, e o consumo intermediário de matérias-primas, estimado em R$ 816 milhões.

A região de maior demanda mundial de cloro e soda cáustica é o Nordeste da Ásia, que inclui a China e o Japão, seguidos da América do Norte e Europa Ocidental. O setor que mais consome cloro no mundo é o de produtos vinílicos (PVC), com 36% da demanda global. 

Esse setor produz cerca de 40 mil toneladas de hidrogênio verde por ano, a partir da produção de 3,2 milhões de toneladas de álcalis e cloro. Este é um elemento que tem sido considerado como uma importante solução para descarbonizar uma série de segmentos, especialmente quando utilizado como fonte energética, já que, quando queimado, não emite CO2, apenas vapor d’água.  

Nas plantas de cloro-álcalis esse hidrogênio tem, historicamente, três usos: ou é utilizado em reações químicas para a obtenção de outros produtos fabricados nas plantas, como ácido clorídrico, por exemplo; ou é vendido para outras plantas como matéria-prima; ou é utilizado como fonte energética, sendo queimado. 

A Rota Estratégica da Indústria de Cloro-Álcalis busca identificar barreiras e fatores críticos de sucesso e, assim, fomentar ações orientadas ao desenvolvimento da cadeia de cloro, álcalis e derivados. “As demandas de cloro e soda estão intimamente relacionadas ao crescimento da economia e ao nível de desenvolvimento de um país. Por isso, é fundamental apontar caminhos para a inovação, fomentar o desenvolvimento sustentável da cadeia e, assim, promover a atração, a retenção e o desenvolvimento de empresas no Brasil”, afirma Milton Rego, (à esquerda na foto) Presidente Executivo da Abiclor.

O estudo apresenta 86 ações permanentes e de curto, médio e longo prazo, que competem a todos os stakeholders da cadeia e estão agrupadas em nove macro-objetivos como, por exemplo, a hiperconectividade e aceleração tecnológica, a imprevisibilidade das relações internacionais, a insuficiência em infraestrutura social e econômica, a urgência de políticas industriais e a mudanças climáticas e escassez de recursos naturais.

Se as ações da Rota Estratégica conseguirem superar as atuais barreiras para o crescimento, a Abiclor estima que o investimento envolvido seja na faixa de 600 milhões de dólares. Com isso, o setor de cloro-álcalis conquistaria um aumento de 400 mil toneladas na produção de cloro, soda, hidrogênio e seus derivados. 

Para a Abiclor, que congrega múltiplas empresas, a Rota Estratégica permite a criação de uma base de referência para que os stakeholders da cadeia planejem suas atividades, gerando um espaço comum para compartilhamento de uma agenda pré-competitiva com os demais envolvidos no setor produtivo. “A confecção da Rota Estratégica da Indústria de Cloro-Álcalis representa o primeiro esforço coletivo em direção ao futuro desejado e vale ressaltar que ela está alinhada ao Marco de Saneamento e à nova política industrial divulgada pelo governo no início de julho, além de corroborar com melhores práticas de ESG e tendências internacionais. Os próximos passos exigirão o nosso engajamento, foco em governança e articulação para a implementação das ações e a concretização da visão estabelecida”, aponta Milton Rego.

“O estudo é lançado em um momento importante, marcado por grandes desafios, como o da descarbonização, mas também de oportunidades. Contribui, assim, para a construção da nova indústria, em bases modernas e de forma alinhada a um movimento que é mundial”, conclui Lytha Spíndola, diretora de Desenvolvimento Industrial e Economia da CNI. 

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