O desafio brasileiro de se tornar independente em Inteligência Artificial

Foto: Rodrigo Cabral (ASCOM/MCTI)

“O Sul Global precisa criar uma rede de proteção que crie mais sinergia entre os países, para combater a desigualdade e a assimetria regional, até porque o mundo todo está caminhando nessa direção”, declarou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, Luciana Santos em entrevista a jornalistas estrangeiros.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, Luciana Santos, falou sobre a reinserção do país no âmbito da ciência e tecnologia mundiais, com ênfase no caráter estratégico e diversidade da utilização da Inteligência Artificial (IA), visando a cooperação tecnológica entre os países-membros do G20.

A ministra informou que “o presidente Lula decidiu recompor integralmente o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia”, que havia sido contingenciado até 2026 pelo governo anterior, por meio de medida provisória. Com essa recomposição, foram utilizados 10 bilhões de reais do Fundo, somados a 2 bilhões de reais de outras fontes de recursos, na recuperação e expansão da infraestrutura de pesquisa, no complexo industrial de saúde, na mecanização da agricultura familiar, na agenda do clima, na transição energética, na transformação digital, nos programas Mais Inovação e Pró Mais Amazônia e em projetos estratégicos de energia nuclear, como o reator multipropósito, que tem o objetivo de tornar o Brasil autônomo na produção de radioisótopos e na área espacial.

Luciana Santos questionou o fato do Brasil depender de produtos com valor agregado, sendo que, além de grande produtor e exportador de commodities, o País é líder em tecnologias de matriz energética limpa, tecnologias sociais, como o SUS, tecnologias desenvolvidas pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que garantem o aumento da produtividade de alimentos, e na indústria aérea, com tecnologias desenvolvidas pela Embraer (Empresa Brasileira de Aeronaves). 

A ministra também defendeu que, para manter a liderança na transição energética, o Brasil precisa se inserir nas discussões sobre biomassa, sobre o fenômeno do hidrogênio verde, sobre o hidrogênio de baixo carbono e nos desafios espaciais e da transformação digital – que vão do letramento digital à inteligência artificial, tecnologia que mudará as relações de produção no mundo. 

A ministra, citando o impacto produzido no mundo do trabalho, pontuou que o Grupo de Trabalho de Economia Digital do G20 tem uma visão abrangente com relação à Inteligência Artificial, visto que ela oferece grandes oportunidades, mas, ao mesmo tempo, grandes riscos. Estudos revelam que, em todo o mundo, são feitos investimentos na casa dos trilhões de dólares nessa área, mostrando a preocupante possibilidade de uma assimetria regional e, até mesmo entre países de uma mesma região, abarcando questões éticas, de criminalidade, de privacidade, de proteção de dados e de neutralidade da rede. 

Sobre a regulamentação e responsabilização das big techs, a ministra Luciana Santos garantiu que o governo federal brasileiro está atento aos seus impactos, seja na proteção dos cidadãos, que devido a fake news, manipulação dos fatos e desinformação, são vítimas de violência digital. 

Com relação ao Brasil liderar o debate sobre Inteligência Artificial no mundo, incluindo os interesses dos países do Sul Global, a ministra concluiu dizendo que  “o Sul Global precisa criar uma rede de proteção que crie mais sinergia entre os países, para combater a desigualdade regional e a assimetria, até porque o mundo todo está caminhando nessa direção”.

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